Confesso que esperava mais…*

Depois de tanto tempo aguardando, a expectativa era grande, mas infelizmente a decepção foi diretamente proporcional.

Não que o jogo seja ruim, não é! A diversão é garantida! A questão é, para quem!?

Para aqueles que dão valor à jogabilidade e fazem questão de levar o jogo a um nível técnico se decepcionarão, e muito! Ao contrário das versões anteriores onde os controles baseavam-se diretamente no estilo Street Fighter, esse não é bem assim. Os controles são muito mais simples, não há mais a divisão dos 3 tipos de chutes e socos, mas apenas 3 tipos de golpes: ataques baixo, médio e alto, e um “ataque especial”.

O que deixa confusa a execução dos golpes é que o mesmo botão que chuta, se movido o cursor de forma diferente – meia lua para frente, ou salto –, pode resultar em soco ou vice-versa. Dessa forma, para quem está acostumado com especiais e combos característicos das primeiras edições, pode ir se preparando para passar nervoso.

Uma das coisas mais divertidas desde Street Fighter Alpha é a combinação de golpes e botões para execução de combos e especiais. Desde a primeira versão de MvC, os botões superiores servem para facilitar a vida de quem não tem muito saco para aprender os especiais, mas mesmo assim, os jogadores mais experientes fazem questão de fazer tudo sozinho. Mas como eu disse, esse não é um jogo técnico voltado para quem leva a jogabilidade a sério. MvC3 parece ter sido desenvolvido para quem não tem a menor noção de jogos de luta, e não bastasse os controles serem mais simples que o normal, ainda tem uma opção “for dummies extreme”, onde basta apertar um botão que já sai um poder ou especial.

Certo, para não desmerecer o esforço dos desenvolvedores, vamos dizer que a utilidade prática desse tipo de recurso é que quando você não tiver ninguém para jogar haverá a opção de largar o controle na mão daquele sobrinho de 3 anos, que vai ficar batendo aleatoriamente nos botões, e vendo várias luzes pipocando na tela. Algo muito útil e divertido, não acha!?

Outro ponto negativo é a quantidade de jogadores. Em Marvel vs Capcom 2, um dos maiores atrativos era a enorme gama de personagens que o controlador tinha a sua disposição, tornando a diversão muito maior, especialmente quando jogado no modo versus. Aqui, temos a disposição apenas 38 personagens, o que de certa forma torna o jogo rapidamente cansativo, vez que, como agora o time é composto não mais por 2, mas 3 lutadores, depois de umas 3 ou 4 horas jogando no modo versus (ou tomando uma surra da máquina – apenas no modo Hard ou Very Hard), você inevitavelmente já realizou todas as combinações possíveis.

A Capcom já divulgou que liberará mais personagens para download, como Jill Valentine e Shuma Gorath, mas mesmo assim, não acredito que isso salvará o game nesse quesito.

Ainda falando de personagens, eu gostaria muito de saber qual foi o critério de escolha e desenvolvimento de cada um, já que a gama de opções é absurdamente grande, e eles resolveram introduzir alguns que a meu ver não seriam muito atrativos para o público em geral.

Boa sacada foi a introdução de Thor como personagem definitivo (e não mais atuando como mero “helper”), e Super Skrull, que se bem utilizados servem muito bem como salvadores de qualquer time. Mas isso somente é possível depois que você se acostuma com os controles, o que por si só já é um desafio a parte.

Na onda pop, foram introduzidos Deadpool e X-23. O primeiro, nem é tão divertido de se usar, já que os golpes são truncados e muitas vezes ineficientes, mas para quem é fã do personagem, vai se divertir com as gracinhas e o passinho que parece mais um moonwalker. Já a segunda, apesar de ter o DNA do Wolverine, teve seu desenvolvimento muito bem feito, isso porque tem seus próprios golpes e combos, totalmente diferentes dos do Velho Logan – que por sua vez teve como único diferencial a atualização do uniforme, pois o resto continua a mesma coisa.

Além desses, no lado Marvel a novidade fica também por conta da presença da Mulher-Hulk (que nada acrescenta de interessante ao panteão de heróis), Dormammu, MODOK (que para todos os efeitos serve de natural alívio cômico) e do Treinador (que é um personagem destravável).

Descido a lenha nos pontos negativos, temos que dizer também o que torna o jogo interessante e divertido:

Os gráficos 2.5D baseados na engine de Street IV ficaram muito bem nesse game, e as características pirotecnias e cores chamativas estão todas lá, bem como os exageros nos especiais, que tornam o jogo visualmente muito mais legal.

Alguns golpes especiais foram atualizados e ficaram muito mais estilosos, fazendo ótimo uso da renderização 3D dos personagens e dos cenários.

Aliás, falando em cenários, muita coisa mudou: a fachada do Daily Bugle está totalmente renovada, bem como a da S.H.I.E.L.D. E acrescentaram ainda Asgard, que faz jus à morada dos deuses nórdicos.

Os uniformes foram atualizados para as recentes versões de cada personagem, (com exceção do Capitão, que mantém o visual clássico, alternando para a versão vermelha – que não sei de onde vem, já que não acompanho as histórias do bandeiroso tem um bom tempo).

Em se tratando de vestimenta, os mais interessantes são sem dúvida o Wolverine – que alterna entre o uniforme tradicional, X-Force (preto) e marrom e amarelo – e o Homem-Aranha, que tem em seu guarda-roupa o traje tradicional, o simbionte e a versão Civil War, vermelho e dourado, desenvolvido por Tony Stark.

Há que se dizer ainda, que já está disponível na rede o costume Pack com as roupas clássicas do Thor, além da versão atual de Steve Rogers e do Patriota de Ferro.

Depois de Apocalipse, Onslaught, dessa vez a ameaça final vem na forma do devorador de mundos, que como os outros dois, apela sem dó nenhuma! As vezes fica um pouco complicado usar qualquer estratégia, já que boa parte dos golpes do Galactus não tem defesa, o que torna o desafio simples: descer a maior quantidade de porrada no menor tempo possível.

A crítica em relação ao último chefe diz respeito ao fato de “pratearem” outros personagens, como o Akuma, que assim como Meki Gouki da versão anterior, aqui também é uma espécie de sub-chefe, mas ao invés de vir adornado com partes mecânicas, vem prateado(?!?!). A impressão que dá é que os desenvolvedores estavam com preguiça de criar alguém novo – Surfista Prateado –, então resolveram usar uma saída tabajara: só fizeram jogar purpurina (Ui!) no Akuma, e ficou tudo certo.

Quanto aos menus e demais opções, o game fica muito a desejar. Menus desanimados, poucas alternativas de jogabilidade – temos apenas missões onde o objetivo é executar golpes –, bem como multimídias dispensáveis, como audição da voz dos personagens.

Há ainda galerias de vídeo e imagens. O que também não é grande coisa, mas para quem gosta de Easter eggs vai achar bacana.

A decepção maior fica por conta do final. Desde a era Mega/Snes, quando o legal era terminar o jogo para ver a animação derradeira – que era bem simples, diga-se de passagem, até por conta da fraca potência dos 16bits –, os jogos foram se aperfeiçoando de maneira gradual, onde o próprio game em si, assim como seus vídeos entre fases, passou a se tornar a grande fonte de diversão, relegando o final para o segundo plano de interesse. Porém, isso não quer dizer que o término do jogo foi esquecido. É sempre interessante saber como termina uma história, e em um game onde o visual foi aprimorado, o mínimo que se espera é que tenham dado a mesma importância para o vídeo final.

Não foi o que aconteceu em MvC3. Assim como as versões anteriores, a desanimação pós Galactus é digna de pena. Chega a dar dó de tão mal feita!

Mais um motivo para se jogar despretensiosamente…

Como disse no início do texto, apesar dos deslizes, o jogo é garantia de diversão para quem gosta do gênero. Basta desligar um pouco o lado crítico de jogador que a experiência torna-se fantástica… pelo menos por umas 4 horas.

Apesar da beleza e do entretenimento, fica ainda um gosto amargo de que, aparentemente, o jogo tenha sido feito às pressas, e que se fosse mais bem trabalhado, poderia ter se tornado um dos maiores lançamentos do ano.

Resta-nos esperar que os desenvolvedores aprendam com os erros e lancem logo uma versão 4 aprimorada e livre dos problemas que de certa forma diminuíram a beleza da terceira edição.

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*Como o nosso negócio é quadrinhos, o texto atentou-se apenas para o lado Marvel do jogo.