maria-joao-3Quando perguntamos do conto dos irmãos Grimm “João e Maria”, muita gente lembra de trechos mais impactantes: a bruxa que observa os dedinhos dos irmãos, logo se estiverem ‘no ponto’, as crianças poderão ser a refeição do dia; o caminho trilhado com pedacinhos de pão para não se perderem na floresta – ideia sem sucesso, pois os pássaros famintos deliciam-se com a iguaria; a casinha da feiticeira repleta de doces e outras guloseimas.
 

Na visão de Gabriel Nascimento (https://www.behance.net/gabrielmnascimento), a história ganha formato muito peculiar, para não dizer apenas belo: a xilogravura. Trata-se da edição limitada “Maria & João” (550 cópias, tenho a número 002!), que, sendo bem sincera, é uma pequena obra de arte. Os desenhos foram simplesmente talhados em madeira, já a introdução (feita por Aline Lemos) e agradecimentos foram usados tipos móveis na composição, o que lembra os bons cordéis.
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O mais interessante é que Nascimento cumpriu o que os escribas e, consequentemente, nós mesmos fazemos quando ouvimos uma história: a repassamos com nossas bagagens existenciais, ou seja, (re)criamos um relato único para uma narrativa tão falada, descrita, televisionada no decorrer os séculos.

A cada página em seu “Maria & João”, o autor nos leva a vórtice de narrativas e interpretações, em especial quando destaca a figura de Maria – que se puxarmos pela memória, é parte importante nesse clássico. Mais instigante ainda é usar a narrativa das imagens na produção do livro e sem o recurso da palavra, transformando-se em um relato puro, sereno e, arrisco dizer, medieval até.

 

Assim, o que parece infantil nada mais é que uma plástica adulta, com suas nuanças de nada inocentes. Aquelas histórias boas como todo o Conto de Fada, ou de Bruxa – afinal ambas se fundem – deve ser.  

— Jornalista freelancer, moradora de S. Miguel Paulista - SP e também colabora para o portal Jornalirismo (www.jornalirismo.com.br). Nas horas vagas, lê Quadrinhos. Nas outras também. Mais em http://twitter.com/keliv1