Lourenço Mutarelli, um dos mais respeitados autores do Brasil, que flertou como romancista e ator, volta ao mundo dos quadrinhos com a obra Quando meu pai se encontrou com o ET fazia um dia quente, pela Cia. das Letras através do selo Quadrinhos na Cia.

Edição em capa dura (com arte de  Kiko Farkas e Mateus Valadares/ Máquina Estúdio), 27,5 x 21 cm, 112 páginas, R$ 44,50.

Na obra, a história de um homem abalado com a morte da mulher é narrada com requintes de delírio e loucura pelo filho do casal.

O livro estará disponível nas livrarias e lojas especializadas a partir do dia 06 de dezembro e a editora fará dois lançamentos para comemorar o retorno do autor:

São Paulo:
Sábado, 10 de dezembro, das 15h às 20h
B_arco Centro Cultural
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426 – Pinheiros

Curitiba:
Quarta-feira, 14 de dezembro, às 19h
Itiban Comic Shop
Av. Silva Jardim, 845 – Rebouças

[Preview]

Uma tragédia interrompe o casamento antediluviano de um aposentado da Companhia Telefônica, acostumado a passar o tempo colecionando fotos antigas e consertando máquinas de costura e de escrever. A morte da mulher, golpeada por uma pedra arremessada por um ônibus, abala de tal modo aquela vida metódica que o homem perde o prumo e passa a oscilar entre a depressão e a violência. 

Para resgatá-lo do luto e da solidão, o irmão do viúvo o convida para uma pescaria. Mas o agradável passeio familiar aos poucos é tomado por uma série de acontecimentos estranhos e inusitados, que começa com o desaparecimento do próprio viúvo. Alguns dias depois, o homem é encontrado, e sua sanidade é posta à prova quando o relato do que fez durante aqueles dias passa a incluir personagens como um ET e os habitantes boêmios de um barco estacionado num riacho seco.
 

O que acontece quando uma vida pacata e previsível sai dos trilhos? Essa parece ser uma das questões que dominam as obras recentes de Lourenço Mutarelli. Depois de anos afastado dos quadrinhos, e da grande insistência dos fãs, o autor volta com a história de um filho que resolve narrar os dias de luto do pai. Urdida com a economia de palavras e a fartura de silêncios que são marca registrada de Mutarelli, a trama espetacular e quase surreal deste livro é realçada pela construção cinematográfica e por imagens deslumbrantes, feitas de tinta acrílica em tons que ajudam a reforçar o clima de desolação. 

Quando meu pai se encontrou com o ET fazia um dia quente também experimenta com a linguagem tradicional das histórias em quadrinhos ao fazer com que cada quadro da história ocupe uma página inteira, tamanha sua riqueza gráfica. Não bastasse a ousadia visual, Mutarelli também organiza as imagens de forma a que não sigam rigorosamente a história que está sendo narrada, criando um quebra-cabeça que exige a participação ativa da inteligência do leitor.

— Lucas Pimenta queria ser Martin Mystère. Não queria uma pistola de raios e sim a capacidade de enrolar uma noiva da mesma maneira...