capa_lobisomem_ Mas, afinal, o que é a vida?

 Seria uma sucessão de coisas (ditas) belas, que teimamos em exibi-las neste mundo (dito) virtual, com seus sorrisos ensaiados, captados por câmeras que detectam tais ‘sentimentos’? Seria um sem fim de posts, blogs, selfies e palavreados importados, empurrados goela abaixo? É na amálgama de questões, dividida em duas partes, que escritor e artista plástico Wagner Willian tira da jaula o seu Lobisomem Sem Barba (Balão Editorial).

 Esqueça o termo ‘lógica’ quando abrir o livro, e reserve no pensamento a liberdade de degustar espécimes de lógicas, em contos reunidos sobre as relações humanas, como a de uma escritora e uma ilustradora de hipopótamos, e a de um pintor e as críticas recebidas (ou feitas por ele mesmo).

 

Cada parte do livro é entrecortada por ilustrações que beiram o realismo – aliás, podemos arriscar que esse seria um universo à parte dos próprios contos proferidos pelo autor, em seu trabalho de estreia que tem mais de 300 páginas, com participações de Xico Sá e Jorge Coli.

lobisomem-k (3)

É interessante quando nos damos a ousadia de parar a engrenagem do cotidiano – aquela sequência que operamos diariamente – e debruçar no reflexo do que realmente somos – aquele que relutamos em aceitar e compreender.     

Wagner Willian, em seu Lobisomem…, só atiça a fagulha, aquela sempre presente, que nos incomoda, nos instiga, mas quando o fogo apaga (leia-se: o término do livro) percebemos que dentro de nós habita uma série de couraças e de inquietudes, protegidas por mais um sem fim de máscaras viventes em matilhas, personagens “sujos e malvados”, como diria Sá.

 

lobisomem-k (1)

 
 
Somos meio lobos, meio cordeiros. 

Meio bobos, meio espertinhos.

Meio nós, meio os outros.

Meio nada, meio tudo.

Meio ninguém, meio todos.   

 

 

 

As únicas certezas, além da finitude e da capacidade de pensar, são que somos animais e impossível negar a nossa animalidade.

Mas, afinal, amigo leitor, a vida é… Hum, não sei, sinceramente. E W.W. ainda nos esfrega na cara a provocação.

Prefiro, então, deixar que o próprio Lobisomem sem Barba nos mordisque as orelhas com a seguinte afirmação: “é muito mais difícil suportar a si mesmo do que suportar os outros. (…) mas quando a bomba cai em nossas mãos, ela simplesmente explode.”.

— Jornalista freelancer, moradora de S. Miguel Paulista - SP e também colabora para o portal Jornalirismo (www.jornalirismo.com.br). Nas horas vagas, lê Quadrinhos. Nas outras também. Mais em http://twitter.com/keliv1