Certa vez assisti a uma palestra dos quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá, onde eles diziam que a vontade de fazer quadrinhos venceria tudo. Não importa o rumo que você tomasse para sua vida, se você realmente quisesse fazer quadrinhos, em algum momento você não conseguiria mais aguentar e colocaria suas histórias no papel, independente de você ser médico, engenheiro, arquiteto… Essa é uma mensagem que representa o ideal dos gêmeos perfeitamente. Os dois são contadores de histórias, e mais do que isso, são pessoas inspiradoras.

Parece que com o pessoal do Catacomics aconteceu algo parecido com a citação dos gêmeos. Apesar de todos trabalharem com artes gráficas de alguma maneira, a vontade de fazer quadrinhos cresceu tanto que eles precisaram se juntar justamente para publicar algo. E essa é a maior vitória deste quadrinho. Vencer uma barreira ideológica, abrir caminho para eles mesmos e para outros, nesse difícil mercado que cada vez está mais propenso a novidades.

 

Ricardo Manhaes, Alex Guenther, Chicolam, Aldo Anjos, Jean Errado, D`Imitre Martins, José Mathias e Juliano Frena são guerreiros. Publicaram neste domingo em Florianópolis o primeiro quadrinho coletivo independente de Santa Catarina. Vale investir nessa turma por isso. Gostando ou não da arte, das histórias, é nítido o desejo e a força de vontade empregada para contá-las, e é isso o que importa. Muitos dos quadrinhos independentes são atraentes por transbordar esta emoção, que acaba fazendo com que os leitores se identifiquem, e é o que realmente vende o gibi. 

O mix apresenta os trabalhos de cada um dos autores sobre os mais diversos temas e técnincas. Manhaes, por exemplo, apresenta tirinhas no melhor estilo Aragonés. Chicolam, quadrinhos modernos no estilo webcomics, com seu Menino Caranguejo. E por aí vai, a partida foi dada. Resta torcer para que essa turma não desista, publique cada vez mais e inspire muitos outros a fazer o mesmo. Parabéns e boa sorte ao pessoal do Catacomics!

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.