ATENÇÃO: ESTA RESENHA POSSUI SPOILERS.

Diante de tantas coisas estranhas que 2012 tem me presenteado, um dos poucos prazeres que tenho tido é a leitura mensal de Julia.

E desta vez não foi diferente.

A Julia Kendall – Aventuras de uma criminóloga nº 94 chegou nas bancas soteropolitanas no final de setembro, trazendo consigo uma das muitas histórias envolvendo assassinatos.

Trama gira em torno da jovem Melanie que, horas após ter saído da casa dos pais para tentar a vida na cidade grande, é encontrada morta nos arredores de Garden City. A história segue o seu curso normal de apresentar vários suspeitos e criando a tensão da dúvida até o final, onde a Srtª Kendall soluciona o caso.

E, como Berardi já nos ensinou inúmeras vezes, as coisas boas estão nos detalhes. Detalhes estes que estão na narrativa e no jogo de quadros que torna tudo tão fascinante. Na página 123 existe um quadro tão fascinante que me faz revisitar a página a todo momento, apenas pra ficar admirando a sequência lógica que ela apresenta.

E o detalhe mais interessante é o tema que a história apresenta: a violência contra a mulher. E isso me fez pensar por horas…

No diálogo final, Julia apresenta um tom todo esclarecedor e isso desperta no leitor uma grande onda de pensamentos sobre como a sociedade falocentrica possui o ego lá nas alturas. Muitos homens cultivam seu ego a ponto de se acharem no direito de retirar até mesmo a vida de uma jovem apenas por falhar no seu desempenho sexual. Tal sequência de pensamentos me fez traçar toda uma genealogia da origem dos pudores sexuais e suas construções na sociedade moderna.

O sexo deveria ser considerado um ato tão natural, tão instintivo, que todas essas inúmeras construções discursivas  depreciativas tornaram um ato tão belo um verdadeiro arcabouço de neuroses.

Pois então, caro leitor masculino: espero que a leitura de "Folhas de Outono" desperte as mais diversas reflexões sobre o sexo e o ego.

— Adalton nasceu no último dia de uma lua cheia, mas acha que isso não tem nenhuma relação com a sua vida; começou comprando quadrinhos por puro modismo - uma edição da Turma da Mônica parodiando Jurassic Park; sua primeira compra consciente foi a edição nº 01 de Batman: A queda do Morcego, ainda formatinho. Acredita que irá terminar a graduação em Letras antes da catástrofe de 2012 e daqui até lá está estudando parte das traduções intersemióticas das peças de Shakespeare já produzidas. E nos interlúdios, tenta produzir roteiros a partir idéias rabiscadas em antigos pedaços de papel.