O mix Vertigo completou, na edição 24, dois anos de publicações. Entre os títulos que fizeram parte da revista, estão Lugar Nenhum, Tessalíada e Vikings (que não fazem mais parte da composição), Hellblazer, Escalpo, Casa dos Mistérios, Vampiro Americano e Joe, o Bárbaro. Considerado por muitos como o mix mais equilibrado do mercado, une aventura, suspense, terror e fantasia,  e sempre conta com bons desenhistas e roteiristas.   Toda semana pretendo postar a resenha de cada um dos títulos, e sempre que uma história nova aparecer, pretendo comentá-la também. Vamos lá.

Joe, o bárbaro é o atual título do roteirista escocês Grant Morrison a ser publicado no Brasil. Elogiado e premiado nos EUA, consagrou também a arte do bom desenhista Sean Murphy.  “Uma mistura de O Senhor dos Anéis, Alice no País das Maravilhas e Esqueceram de mim” segundo o próprio roteirista. Seria tudo isso?

Bom, a história se passa na casa de um menino a porta da morte, sofrendo uma crise hipoglicêmica que lhe causa alucinações. A batalha para descer de seu quarto e alcançar uma dose de glicose é transportada para a imaginação do garoto, que em um mundo paralelo, é também convocado para salvar o dia de uma série de catástrofes.

A imaginação criativa de Joe leva todos os seus brinquedos para ajudá-lo na batalha, e é esta infinidade de possibilidades que traz a comparação com algumas das obras mais famosas de fantasia. O problema é que comparar grandes enciclopédias da fantasia, como os livros de Tolkien e Carroll, com o pequeno número de edições da mini-série (são apenas 8),  faz com que a frase do roteirista soe um pouco megalomaníaca de início.

Mas Morrison de fato tem um pouco de razão. Joe, o Bárbaro liberta toda a imaginação do leitor para viajar a um mundo distante, como nas obras citadas. E faz ainda mais. Lembro-me que, quando criança, meu passatempo preferido era me divertir com meus bonecos de ação, GIJOE (Comandos em Ação), Batman entre outros. Nada nutria mais minha criatividade do que as horas que eu passava sozinho trancado no quarto com meus brinquedos, e foi isso que me levou a gostar de quadrinhos. A possibilidade de relembrar tudo isso e de se identificar com Joe liberta todas as dimensões fantásticas e as histórias que eu havia imaginado na infância, e a coleção de todas elas forma, juntamente com a história desse gibi, um conjunto tão vasto de informações e possibilidades quanto a Terra Média, por exemplo. De início Morrison soava prepotente, pois de fato tinha um abismo entre sua obra e suas citações, mas interpreto que cabe ao leitor completar este "espaço entre" com sua própria imaginação.

E por falar em Espaço entre, você já leu Casa dos Mistérios? Fica para um próximo post.

 

 

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.