kraft-keli-7-5-16 (1)Confesso, tenho uma admiração bem aguçada por produções independentes, aliás, é a maioria das leituras que faço e escrevo neste Quadro a Quadro. Pois bem, quando soube da II Feira Kraft, ocorrida de 6 a 7 de maio, na região da Barra Funda, zona oeste da capital paulista, não teve jeito, tive de desbravá-la. 

Como o próprio nome diz, trata-se de uma feira com publicações independentes, organizada por estudantes do curso de Artes Visuais da UNESP – Universidade do Estado de São Paulo – e outras editoras, que juntos trocaram experiências e publicações. Fui no segundo dia, sábado (7), assistir a palestra de Douglas Utescher, designer gráfico e sócio da loja-editora-produtora Ugra Press. 

kraft-keli-7-5-16 (18)“Zinestória” foi o título que capitaneou o bate-papo: um relato sobre os mais de 90 anos da história dos zines, iniciada por fãs de ficção científica, passando pelo universo punk até os dias atuais. 
Antes, as publicações eram totalmente artesanais, com o uso de recursos disponíveis, como o mimeógrafo e as cópias no sistema xerox. Hoje, com o boom dos dispositivos móveis, computadores, redes sociais e a internet em todo o mundo, os trabalhos tornaram-se mais sofisticados. kraft-keli-7-5-16 (4)“Quando comecei, antes da internet, a comunicação entre os que gostavam e faziam zines era por cartas, o que gerava uma rede de pessoas e de ideias e, consequentemente, trabalhos mais difundidos”, lembrou-nos durante a palestra. 

Utescher explicou ainda que as temáticas dos zines, durante sua trajetória, foram variando e aprimorando-se, não necessariamente criados e consumidos por fãs. “Atingiram vários públicos e tornaram-se também um meio de comunicação além das grandes mídias, feito por quem vivia aqueles assuntos abordados, como resenhas de músicas e filmes, moda, arte…”, disse. 
E arrematou: “Outro exemplo é o tema Quadrinhos, não haviam só histórias ilustradas, mas discussões e entrevistas sobre o assunto. No Brasil, publicações como ‘Barata’ (trabalho de Santos – SP) e ‘Panacea’ (trabalho da USP – Universidade de São Paulo) são alguns desses formatos. Muitas correntes as chamam de revistas alternativas ou independentes, mas não deixaram de ser zines em sua essência”, arrematou. 
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Para o produtor, o futuro dos zines não está arraigado somente à difusão, arrojo ou até mesmo ao lucro conquistado pelos autores. “Eu não acho nada de ruim a sofisticação das publicações ou mesmo que os autores ganhem dinheiro com isso. O grande problema está na documentação. Vejo muitos blogs, sites e páginas digitais que produzem vasto e importante material, mas será que são arquivados, existe essa preocupação de preservar as informações contidas?”, frisou. 
E foi com essa reflexão que Douglas Utescher fechou a conversa. Bom para se pensar, não é mesmo, amigo leitor?

Ah, confira mais fotos do evento feitas por esta que vos escreve neste link! 

— Jornalista freelancer, moradora de S. Miguel Paulista - SP e também colabora para o portal Jornalirismo (www.jornalirismo.com.br). Nas horas vagas, lê Quadrinhos. Nas outras também. Mais em http://twitter.com/keliv1