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Vento seco e frio proveniente do Saara que sopra em direção oeste ou sul para costa Africana. O Harmatã leva consigo uma quantidade razoável de poeira do Saara, deixando sobre a costa africana, um incrível véu poeirento e como consequência os aeroportos são fechados, a fim de evitar acidentes. Em Harmatã, de Pedro Cobiaco, o vento sopra forte levando quase tudo dos corações de Fábio e Lua, um casal separado pela distância, que ainda compartilham do mesmo sentimento de afeto. 

O quadrinho tem uma narrativa bastante interessante, por exemplo, o diálogo entre o casal (Fábio e Lua) é feito inteiramente por telefone, onde Lua fala do vazio constante que ela vem sentindo, apesar de estar indo bem profissionalmente. Num primeiro momento esse diálogo acontece, sem a presença de ambos os personagens, pois nos quadros se retrata o deserto sendo tomado pelo vento forte e frio, que é o Harmatã.

Embora, seja curto o quadrinho de Cobiaco, é grande o suficiente para envolver o leitor na história do casal e fazer com ele possa desfrutar de sua tocante narrativa gráfica, já que falar de amor não é para qualquer um, visto que em outras mídias ele é referenciado de forma tão utópica, que chega a ser irreal, mas em Harmatã é diferente, você consegue sentir o vento forte te envolver e as areias carregadas por ele, se assolar sobre seus pés, já que amar é tão difícil e ser amado, também não é fácil.

Essa obra está mais que indicada e não me dou o direito de classificá-la, pois arte não se classifica e não se analisa. Arte se mastiga, mas se para ti o gosto é bom ou ruim, depende do seu paladar. Para mim, Harmatã é uma delícia.