gg4Por Marcelo Buzzoni*

* Marcelo Buzzoni é convidado do Quadro a Quadro. O conteúdo desse post expressa a opinião do autor, que é plenamente responsável pela mesma.

 

 

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Ganhei a primeira edição deste quadrinho da minha namorada. E ela acertou na mosca, ou nesse caso, na gata!

Quando minha namorada escolheu esse quadrinho, disse que foi por conta dos desenhos e porque tinham gatos na história, além de um casal parecido com a gente. Recentemente, adotamos uma gatinha, e aí – pronto! – ela foi convencida a levar.

Já conhecia a Fefê Torquatto do Tumblr que ela tem com a Bianca Pinheiro (de Bear, que também está sendo publicada pela Nemo) chamado A Vaca Voadora, onde além de alguns quadrinhos delas, também tinham alguns quadrinhos escritos pelo Lielson Zeni, desenhados por convidados.

A personagem Gata Garota surgiu na cabeça da Fefê em 2010, quando ela começou a trabalhar com ilustrações e chegou a fazer alguns quadrinhos com essa personagem, que sofreu poucas alterações nesse tempo.

No ano passado, começou a publicar este webquadrinho e no fim do ano fechou com a Nemo a publicação do primeiro volume – que em seus planos, serão três.

gg2Gata Garota conta a história de Gigi, que é de uma espécie meio humana meio felina. A primeira metade do volume é cheio de referências à vida dos gatos: acordar no meio da noite para bagunçar o banheiro, como um inseto pode ser motivo de distração por horas, o fato do gato sempre ficar onde ele quiser (mesmo que alguém estivesse sentado ali antes…), os meios de convencimento dos gatos com suas fofuras etc. Ou seja, um deleite para quem tem gato em casa…

Na segunda metade do álbum, a história começa a ganhar certo drama quando somos apresentados à família nada convencional da Gigi – todos meio gatos – e principalmente à sua prima/irmã e líder da família, Fefê, uma gata persa incrivelmente fofa só que insuportavelmente chata quando quer.

Surge uma grave crise familiar envolvendo Gigi e ela precisa convencer sua prima de que é capaz de resolver isso, ao mesmo tempo em que descobre mais detalhes de sua família e de suas transformações em gatos.

Talvez pelo seu trabalho com ilustração (ou por escolha estética mesmo), há diversas splash pages, aquelas páginas em que ela inteira é um desenho – ou um quadro. E sendo a obra em preto e branco dá uma cara mais noir a esse quadrinho, ainda mais que os gatos são animais basicamente noturnos. Sem contar a influência clara da Mulher-Gato, do Batman, que, como a autora já disse, sempre teria sido muito mal aproveitada e esse quadrinho seria uma forma de tentar mostrar como seria uma verdadeira “Gata Garota”.

Além de ser uma história recheada de referências (super-heróis, o cotidiano dos gatos, intrigas familiares), mostra a migração de outro webquadrinho para o papel e mais um ótimo quadrinho de autoria feminina, os quais têm aparecido cada vez mais nesse mercado que cresce a cada dia.

Esta versão impressa feita pela Nemo tem um tamanho um pouco maior do que os que estamos acostumados, não é naquele “formato americano”, nem no tamanho dos álbuns do Moebius lançados por esta mesma editora. Para quem leu a série na internet, a versão impressa deixa tudo mais fácil de ler. A coisa ruim é que o volume dois está saindo bem devagar na internet, mas é por uma causa justa: o aumento do volume de trabalho da competente Fefê.

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Marcelo é advogado, historiador, professor de história e, nas horas vagas, escreve sobre quadrinhos. Deixaria tudo isso de lado se fosse escolhido para ser o Lanterna Verde da Terra.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.