keli_vasconcelos

 

 

► Keli Vasconcelos¹

 

 

 

 

guia_quadrinosk (9)“Você é do Quadro a Quadro, de Lucas Pimenta (editor)? Lucas é meu irmão!”. Foram com essas palavras que Flávio Luiz, quadrinista baiano radicado em São Paulo, autor de ‘O Cabra’ e ‘Aú – O Capoeirista’, começou nosso bate-papo durante a calorenta tarde autógrafos em pleno sábado paulistano.

Flavio foi o homenageado da oitava edição do Festival Guia dos Quadrinhos, ocorrido em 11 e 12 de outubro, na Associação Beneficente Osaka Naniwa Kai, na Vila Mariana. O terceiro andar do prédio recebeu cerca de 20 originais do artista, que contou sua trajetória no cenário dos quadrinhos, charges e publicidade: “A exposição se chamou ‘Flávio Luiz – O Cabra dos Quadrinhos’, em que pude mostrar toda a minha história. Olhando para trás, vejo que valeu a pena botar meu bloco na rua. Comecei andando por esse Brasil de ônibus, só com uma lata de Sustagen e meus trabalhos e hoje, nesse evento, estou ao lado de outros quadrinistas que admiro”, falou sorridente e sem deixar a caneta sair das mãos, enfatizando seu traço preciso enquanto desenhava para os admiradores.

Flávio Luiz comemorou os frutos de Aú, adotado pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e pelo programa da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, o Sala de Leitura, com 9 mil exemplares adquiridos: “Aú surgiu em minha mente como um menino de oito anos, contudo passaram-se oito anos até finalmente publicar o primeiro volume e resolvi colocá-lo como um adolescente de dezesseis anos nesses dois volumes, em álbuns de luxo, padrão europeu. Fico feliz que crianças, jovens e adultos poderão ficar ainda mais perto deste personagem cem por cento nacional. Sim, temos heróis nacionais, sem desmerecer os importados. O desafio é valorizar o melhor de nosso País”, arrematou o quadrinista, que arquiteta para o próximo ano mais trabalhos de ‘O Cabra’ e ‘Rota 66’.

Mercado Independente

guia_quadrinosk (6)

Flávio Luiz foi também um dos artistas que compuseram a mesa “HQs Independentes: Os profissionais ensinam o caminho”, com Germana Viana (Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço), Will (20.000 Léguas Submarinas; autor de Sideralman) e Daniel Esteves (KM Blues; São Paulo dos Mortos) e mediação de Jota Silvestre (revistas Mundo dos Super-Heróis e Mundo Nerd). Lei Rouanet, incentivos, sistemas de ‘vaquinha’ virtual como Catarse e Kickante foram alguns temas que capitanearam a palestra.

Uma das questões levantadas foi: o importante é ser independente ou unir-se a uma editora? “Quem é da área meio que nasce independente, porém, nada me impede de trabalhar para editoras. Afinal, por que ser um ou outro se podemos fazer os dois? É tudo uma questão de oportunidades”, disse Will, com títulos publicados em editora.

Daniel Esteves, também com trabalhos em editora, continuou: “É como um escritor, que não fica preso só ao livro, faz crônicas, textos, roteiros. No meu caso, dou cursos, roteirizo. Eu e o Will damos aula de Quadrinhos na rede pública. Vivo de Quadrinhos, então preciso ampliar as possibilidades”.

Outro assunto foi a relação internet e impresso. Esteves e Will participam do coletivo Petisco.org, Flávio Luiz conta, por exemplo, com um hotsite para Aú: “O apoio da internet é fundamental, seja com sites próprios, seja com parcerias, como o QaQ que divulga nossos trabalhos, além dos próprios leitores nas redes sociais”, destacou Luiz.

Já Germana Viana tem suas personagens no virtual. “Foram pensadas para a internet, mas claro que pretendo publicá-las em papel. Até porque adoro o cheiro do papel, como muitos de nós! Mas não quero que a pessoa que lê meus quadrinhos lá se sinta prejudicada por aquele que comprou o impresso. Cabe atingir ambos, adaptar”, ressaltou a artista.

O Festival

guia_quadrinosk (8)

Pela primeira vez ocupando os três andares da Associação Beneficente Osaka Naniwa Kai, o Festival Guia do Quadrinhos recebeu além dos trabalhos de Flávio Luiz a exposição “Demolidor: 50 Anos sem Medo”, com artes criadas de desenhistas brasileiros e curiosidades sobre o herói da Marvel criado por Stan Lee e Bill Everett.

Edson Diogo, idealizador, relatou que o evento surgiu da necessidade de criar um encontro entre colecionadores, indo além-mundos virtuais: “Tudo começou na seção de trocas dentro do site ‘Guia dos Quadrinhos’ chamada ‘Mercado de Pulgas’, inclusive, era o nome antigo do evento, destinado a trocas de revistas entre os usuários do site. Por conta da demanda, decidimos levar para o real o que já acontecia no virtual, só que com mais atrações”.

Por falar nisso, lojas especializadas, concurso de Cosplay, sorteios, quiz e muito conteúdo abasteceram os admiradores da nona arte nos dois dias de festival.

guia_quadrinosk (2)

__________

¹ Keli Vasconcelos é jornalista de São Paulo e freelance para revistas. É colaboradora do Portal Jornalirismo (www.jornalirismo.com.br), em que conta histórias sobre São Miguel Paulista, no extremo leste da capital paulista. Saiba mais em http://twitter.com/keliv1

*O conteúdo deste post expressa a opinião da autora, que é plenamente responsável pelo mesmo.

— Lucas Pimenta queria ser Martin Mystère. Não queria uma pistola de raios e sim a capacidade de enrolar uma noiva da mesma maneira...