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Flávio Calazans é o tipo de pessoa que dispensa apresentações: Envolvido com Quadrinhos desde sempre, seu currículo completo pode ser conferido no site Calazans.

No último sábado 22/02, ele participou de um bate-papo na Gibiteca de Santos onde conversou com os participantes sobre seu envolvimento com HQs e Educação, seus livros, fanzines e HQs autorais.

Seu interesse em usar HQs em sala de aula, fez com aplicasse um método baseado nas propostas do educador Paulo Freire para trabalhar com os alunos no Ensino Fundamental. Esse resultado por ser conferido no 1º livro do gênero a ser publicado no Brasil História em Quadrinhos na Escola, o que o coloca entre os pioneiros de estudos acadêmicos de HQs e suas aplicações em sala de aula.

Como desenhista, nos contou que suas influências vieram de várias fontes, principalmente do cinema com técnicas e jogos de câmeras que podem ser facilmente observados em suas histórias. Entre suas principais influências estão alguns quadrinhos Western, as ilustrações de Robert Crumb e a revista Grilo, que trazia tirinhas de diversos autores. O Surfista Prateado era um de seus personagens favoritos na adolescência.

Quando questionado sobre o mercado atual de Quadrinhos e se ele tem acompanhado o trabalho dos artistas brasileiros, ele disse que acompanha sim, mas que preferia não comentar, afinal, não sabemos o impacto que nossas opiniões podem ter no trabalho daqueles que estão começando e citou um momento delicado em nossa História, quando Monteiro Lobato fez uma crítica extremamente negativa ao trabalho de Anita Malfatti, prejudicando a pintora seriamente.

Como Calazans também é muito conhecido por suas pesquisas sobre mensagens subliminares, perguntei se ele fazia uso das mesmas de forma consciente em suas HQs ou se simplesmente criava uma história sem se preocupar com uma possível mensagem subliminar a ser enviada.  Ele me explicou que às vezes ele as “planta” intencionalmente, mas que em outras, isso acontece sem querer, afinal, assim como a maior parte dos artistas, ele primeiramente pensa em um tema, seguido de um argumento e finalmente no roteiro. Muitos artistas autorais fazem uso de mensagens subliminares sem nem se darem conta, enquanto que histórias mais comerciais possivelmente o fazem propositalmente, no intuito de induzirem o leitor a algum tipo de comportamento esperado.

Conversar com alguém como Calazans é ter uma aula sobre a História das HQs no Brasil, não só por ser pesquisador, mas por fazer parte do deste universo há bastante tempo, por isso, suas dicas aos aspirantes de plantão devem ser ouvidas com atenção, principalmente quando ele sugere que acima de tudo, sejam fiéis ao que acreditam, do contrário, seu leitor perceberá que aquela voz na história, não é a sua.

A exposição com alguns de seus trabalhos pode ser conferida na Gibiteca de Santos até o dia 14/03. A Gibiteca fica no Posto 5 da avenida da praia em Santos.

(Foto de Flávio Calazans)

— Dani Marino é formada em Letras e ainda não decidiu se prefere viver no Sonhar, em Nárnia ou em Hogwarts.