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► Keli Vasconcelos¹

 

 

 

 

festivalsm1A biblioteca Raimundo de Menezes, em São Miguel Paulista – extremo leste da capital paulista, recebeu na tarde do último 7/11 um bate-papo sobre Fanzines e História em Quadrinhos. E o QaQ não poderia ficar de fora para contar tudo que aconteceu!

Capitanearam a conversa Marcatti, quadrinista que já publicou em revistas como Chiclete com Banana e MAD, além de fazer adaptação para os Quadrinhos de A Relíquia (Eça de Queiroz); Thina Curtis, arte-educadora, poetisa e fanzineira; e Gau Ferreira, artista plástico, quadrinista e professor de HQ desde 1984.

Os artistas responderam dúvidas do público, predominantemente de jovens estudantes da rede pública e frequentadores da biblioteca, que tem em seu acervo títulos de Quadrinhos. A maioria dos comentários foi sobre os ‘primeiros passos’ no universo dos fanzines e das HQs.  “A grande fonte de pesquisa está nas bibliotecas. É num ambiente desses que adquirimos conhecimento e, o melhor, de forma gratuita e acessível”, comentou Maracatti.

festivalsm2“Tanto o campo dos fanzines, que é mais artesanal, quanto o dos Quadrinhos, que é mais complexo, está no grupo. Enquanto um é bom no texto, algum amigo pode ser bom no desenho, bom no argumento. É um trabalho em conjunto”, disse. Para Marcatti, o Brasil conta com um grande número de artistas e tem como diferencial de outros países a heterogeneidade dos estilos de traço e roteiro.

Thina defende também mais títulos de adaptações para os Quadrinhos de clássicos da literatura, bem como fanzines, das oficinas às prateleiras, nas bibliotecas. “É importante professores, pais e as próprias bibliotecas terem em seu acervo esses tipos de adaptações, indo além do livro. O mesmo vale para os fanzines e outros formatos de Histórias em Quadrinhos, em que o estudante pode trabalhar o roteiro, a palavra, o desenho de diversas formas”, ressaltou.

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Já Gau Ferreira recomendou que quem quer começar não precisa usar referências distantes para arquitetar uma história: “Muitos alunos meus falam que querem montar histórias de super-heróis em cenários como Manhattan. Aí eu digo: ‘Você já foi pra lá? Conhece a arquitetura do lugar? Não seria mais fácil falar do bairro onde mora?’”, frisou o artista. “Como exemplo temos Ziraldo, que retratou Minas Gerais, e Mauricio de Sousa, Mogi das Cruzes (São Paulo). Fora a imensidão de artistas independentes que falam do Brasil em suas HQs. O que precisamos é estimular ainda mais os estudantes a mostrarem o nosso País.”, arrematou.

O evento fez parte da quinta edição do Festival do Livro e da Literatura de São Miguel, promovido pela Fundação Tide Setubal, que reuniu diversas atividades em mais de 30 pontos do bairro, nos dias 6, 7 e 8/11.

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¹ Keli Vasconcelos é jornalista de São Paulo e freelance para revistas. É colaboradora do Portal Jornalirismo (www.jornalirismo.com.br), em que conta histórias sobre São Miguel Paulista, no extremo leste da capital paulista. Saiba mais em http://twitter.com/keliv1

*O conteúdo deste post expressa a opinião da autora, que é plenamente responsável pelo mesmo.

— Lucas Pimenta queria ser Martin Mystère. Não queria uma pistola de raios e sim a capacidade de enrolar uma noiva da mesma maneira...