O correspondente do QaQ nos EUA esteve no MoCCA  – Museum of Comic and Cartoon Art e fala com exclusividade sobre a exposição dedicada ao mestre Will Eisner.

 

 

► Por Guido Moraes*

 

 

Localizado em Nova Iorque, o MoCCA, é um pequeno notável entre os grandes museus de Arte e História, e no quarto andar do edifício número 594 da Broadway é que se encontra a exposição Will Eisner’s New York: From the Spirit to the Modern Graphic Novel.  A exposição, que vai até dia 14 de agosto, traz originais do Spirit e das primeiras graphic novels de Will Eisner, além de muitos outros artistas inspirados pelo mestre. Estão lá Darwin Cooke, Jack Kirby, Neal Adams e Art Spiegelman, com obras pessoais ou homenagens. Para um bom leitor de quadrinhos não precisa de mais nada, mas para sua família turista, basta dizer que lá eles poderão ver a Metrópole de anos atrás, o modo de vida dos nova-iorquinos e a arte dos melhores quadrinistas de todos os tempos.

Eisner nasceu em 1917 no Brooklyn, Nova Iorque, filho de imigrantes judeus. Revolucionou a Nona Arte popularizando as Graphic Novels, histórias mais profundas, com temáticas cotidianas, focando em bons roteiros e na narrativa gráfica. A discussão sobre ter ou não inventado o termo é grande e não vai ser resolvida tão cedo, mas, Will Eisner é conhecido como o maior representante do gênero, e em 1988 foi homenageado pela indústria dos quadrinhos ao ter seu nome no maior prêmio das HQs nos EUA, o Prêmio Eisner.

O Museu é pequeno, e sobrevive de doações anuais de seus sócios, e da organização de eventos. As exposições são todas itinerantes, e por não serem de propriedade do MoCCA, não é possível tirar fotos dos originais. A exposição atual começa com o Spirit, um dos primeiros personagens de Eisner. As páginas, desenhadas a lápis preto, foram finalizadas a nanquim. Quem já viu uma página original de quadrinhos sabe muito bem que não é um quadro, que tem traços aparecendo, correções a guache e espaços negros mal preenchidos. Tudo isso obviamente por que na impressão não aparece. E o legal deste começo da exposição é justamente observar as diferenças entre as originais e as páginas impressas.

Em seguida, somos presenteados com várias páginas de estilos diferentes. Usando nanquim aguado, usando lápis azul para rascunho, usando nanquim colorido ou aquarela. Sem falar em desenhos para capas maravilhosas. Mas o que mais impressiona é a arte final a nanquim preto, a mais comum de todas. Quem desenha sabe o quão difícil é encontrar um traço natural no pincel, se sentir livre para fazê-lo na espessura que quiser, sempre que quiser. Nestas páginas, é possível observar que o mestre não só fazia isso magistralmente, como também finalizava com guache branco em cima do nanquim. A técnica de desenho com esta tinta mais grossa é dificílima, e dominada por pouquíssimos arte-finalistas profissionais.

A segunda parte da exposição reserva os primeiros Graphic Novels de Eisner. Baseadas em situações do dia-a-dia ou da infância do artista, foram publicadas ainda sobre o título do Spirit, mesmo que o personagem aparecesse pouco. Mas é a capa original da primeira edição de Um contrato com Deus que realmente chama a atenção, HQ que foi o marco que consolidou a nova temática dos quadrinhos da época.  Podem-se observar também várias páginas, da Avenida Dropsie, O Nome do Jogo, Ao Coração da Tempestade entre outras.

Em seguida, ainda sobre o traço do mestre, podemos observar Nova Iorque. O desenho que se transformou no pôster da exposição apresenta a variedade das figuras que caminham pela cidade até hoje. O metrô desenhado por Eisner ainda continua o mesmo, talvez mais sujo. Os prédios e as ruas cresceram proporcionalmente iguais, e os desenhos em geral retratam a cultura da cidade imortalizada em quadrinhos, quadros, filmes e museus. Emocionante.

A última parte do museu revela os artistas influenciados por Eisner. O mais impressionante, o famoso Muhammad Ali x Superman, de Neal Adams. Numa página dupla, contempla um a um milhares de personalidades famosas na platéia, de Clark Kent ao Batman, Woody Allen, Cher, Robert Plant entre muitos outros. E a sessão continua com trabalhos dedicados como agradecimento ao professor, feitos por Kirby e outros.

Para finalizar, pode-se comprar souvenires como pôsteres, impressões de sketches autografados por Eisner, HQs e etc. Vida longa ao MoCCA!

Site: http://www.moccany.org/

Fotos oficiais: http://www.flickr.com/photos/gary_dunaier/sets/72157626072867891/with/5498619676/

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*O conteúdo deste post expressa a opinião do autor, que é plenamente responsável pelo mesmo.

— Lucas Pimenta queria ser Martin Mystère. Não queria uma pistola de raios e sim a capacidade de enrolar uma noiva da mesma maneira...