"Para nós colecionadores, cada gibi tem uma história, e este é o espaço onde podemos contá-las."

De volta com nossa coluna Estante Quadrada, onde quadrados e convidados debatem sobre hqs que tem um valor especial pra gente! A primeira desse ano contou com o convidado Rodrigo Pedroso, e foi a sexta postagem em ordem cronológica desde a inauguração da coluna. Na edição de hoje, contamos com a participação dos quadrados Rafael Cordeiro, Beto Magnun e Marcelo Buzzoni, todos estreantes por aqui. Além da presença deste que vos escreve. Vamos lá!

Rafael Cordeiro

Obra escolhida: Destrutor & Wolverine: Fusão 

5f669911Se existe uma história que me impactou de uma maneira que até então eu não tinha vivenciado no mundo dos quadrinhos, e com a qual eu tenho uma ligação afetiva especial, é a minissérie Destrutor & Wolverine: Fusão (Havok & Wolverine: Meltdown no original), publicada pela Marvel em 1988, saindo no Brasil pela Editora Abril em 1991.

Após a saga da Fênix, meu interesse pelas histórias dos X-Men oscilou bastante. Fazia tempo que eu não lia nada sobre eles até que um dia me deparei com o primeiro número dessa HQ na banca, durante a hora do intervalo no colégio. Foi amor à primeira vista. Literalmente.

Até então, todo quadrinho que eu tinha lido seguia um mesmo padrão visual: desenhos com borda preta e cores chapadas. Eis que me deparo com uma HQ que tinha um visual que até então eu só associava a obras de arte "clássicas", como os trabalhos de  Van Gogh. E para um deleite ainda maior de meus olhos, essa HQ era pintada não por um, mas dois artistas com estilos diametralmente opostos, porém complementares.

Jon J. Muth fazia as artes do Destrutor; sua pintura em aquarela tem contornos bem definidos (para a técnica), quase cartesiana, e eu vibrei quando notei que Destrutor tinha o rosto de James Dean – algo que só vi muito tempo depois em The Ultimates, com o Nick Fury baseado em Samuel L. Jackson . Kent Williams é o oposto, com uma arte "suja" e orgânica que caiu como uma luva para as artes do Wolverine. Isso tudo em meio a uma intricada trama de espionagem nos moldes da Guerra Fria, que se encontrava em seu estágio final à época de sua publicação.

Por causa deste quadrinho é que resolvi pintar para dar incrementar a qualidade visual das HQs que eu fazia na adolescência; primeiramente com nanquim colorido (pois eu a única aquarela com preço acessível para mim era de um tipo feito para crianças), alguns anos mais tarde com aquarela profissional e muitos anos depois com pintura digital que simula aquarela e outras técnicas.

Nesses anos todos, a única mudança de sentimento em relação a essa HQ foi de ideal artístico; se antes eu tinha preferência pelo estilo de Jon J. Muth, hoje eu almejo um estilo que combine as qualidades dele e de Kent Williams. De resto, tenho por esse quadrinho um carinho que só se fortalece com o passar do tempo

Marcelo Buzzoni

Obra escolhida: Hulk #7

Leio quadrinhos desde pequeno. Sou daqueles que foi alfabetizado lendo quadrinhos. E lia de tudo, não tinha essa só de Turma da Mônica, não. Na chácara do meu avô, no hulk7interior de São Paulo, três gerações dividiam os quadrinhos ali disponíveis: meu avô (e sua coleção de Tex e Zagor), minha mãe e eu e meu primo mais velho. Todos líamos vários gêneros: Mônica, Disney, Asterix, Tex e até uns de super-heróis que não lembro como foram surgir lá em casa: uma do Homem-Aranha (onde ele enfrentava um daqueles robôs anti-aranha) que não sei que fim deu; uma do Demolidor (com escritos e desenhos de Frank Miller, com Elektra e tal) que virou parte de um ornamento que dei de dia dos pais ao meu pai, toda picotada, claro, coisa de pré-escola; e a objeto deste texto (que tive que buscar a capa, inclusive, para lembrar o número dela, pois a minha está sem capa…): O Incrível Hulk # 7 da Abril!

Quando pequeno eu não gostava de quadrinhos de heróis pois as histórias nunca acabavam naquela edição e você tinha que ler várias para entender o que estava acontecendo. Mas nessa do Hulk, especificamente, a história era com começo, meio e fim. Nela o Gigante Esmeralda, pra variar fugindo dos militares que estavam atrás dele, dando vários daqueles pulões vai parar numa ilha deserta, no meio do oceano. Lá, depois de se transformar no franzino Bruce Banner, tem contato com um único homem que morava na ilha, um senhor que fugiu da vida moderna e foi se refugiar lá vivendo tipo Robinson Crusoe. Muitas e muitas coisas acontecem na ilha e o tal ermitão descobre a verdadeira natureza do monstro. Aparecem piratas na ilha, os quais são derrotados pelo Hulk e até a filha do velho que estava atrás dele há tempos. Mas o melhor é a cena do Hulk querendo ajudar o velho levando a ilha, literalmente, nas costas, até perto da praia, possibilitando que ele morasse na ilha, mas perto da filha.

Dos meus gibis em formatinho, esse é dos poucos que guardei muito mais pelo valor sentimental do que pela revista em si (ela inclusive tá caindo aos pedaços, sem capa, sem algumas páginas…) e por isso ela tem um lugar reservado na minha estante!

Beto Magnun

Obra escolhida: Novos Titãs #21

IMG_20160120_210753Umas semanas atrás enquanto fuçava uma gaveta atrás de uma caneta encontrei essa HQ. Como pude ser tão desleixado o deixando ali no fundo de uma gaveta qualquer?

"Novos Titãs" n°21 de dezembro de 1987, escrita pelo Marv Wolfman e desenhada pelo George Perez. Simplesmente a fase mais aclamada dos Titãs.

Publicada originalmente em Tales of the Teen Titans 45 a 50, com Argumento e desenhos do Marv Wolfman e George Péres, entre 1984 e 1985, mas só saiu por aqui em 1987/1988. Os Titãs viviam uma época mega conturbada. Na edição anterior havia acontecido o fim da saga “O contrato de Judas”, em que à Titã, Terra se revela uma traidora à serviço do Exterminador e da Colmeia. Na edição 21 Aqualad e Tula buscam ajuda dos Titãs, pois os membros remanescentes da organização criminosa intitulada Colmeia estavam atacando Atlântida. Então os Titãs Ravena, Moça Maravilha, Asa Noturna, Jericó e Estelar vão até Atlântida ajudar seus amigos. Já Ciborgue tem um duro encontro com seus avós e Mutano chora pela traição e morte da Terra.

Tenho um carinho especial por esta edição, pois foi a primeira HQ de super-heróis que li. Meu pai me presenteou com ela no longínquo ano de 1998. Eu tinha 5 anos, e estava aprendendo à ler… Não entendia nada, mas os desenhos me deixavam louco!!
E para minha felicidade em 2013, George Pérez foi um dos convidados do FIQ. No sábado ele estava dando autógrafos, mas ao ver o tamanho da fila acabei desistindo. É… Força de vontade não é meu forte. Fui até o Viaduto Santa Tereza, pra tomar uma cerveja e assistir um grupo de dançarinos de Soul que estavam se apresentando lá. Quando voltei para a ultima volta pelos stands do FIQ, acabei me deparando com o próprio Pérez, sozinho no Stand da Comix. Depois de me enrolar um pouco tentando falar em inglês consegui a assinatura do lendário desenhista em alguns itens da minha coleção. 
E “Os novos Titãs” #21 segue como um dos maiores tesouros da minha coleção, mesmo estando um pouco surrada e com as páginas amareladas.

Guido Moraes

Obra escolhida: Tintim – O ídolo roubado

Tintim é uma das minhas melhores recordações da infância. Ao contrário de muita gente que aprendeu a ler com Turma da Mônica, eu acho que comecei com Tintim. Isso porquecapa_tintim_idolo minha mãe tinha uma coleção enorme de edições que ela comprou na adolescência, que são minhas primeiras lembranças de leitura desde que me conheço por gente. Eu também assistia o desenho animado, que passava na TV Cultura. O ídolo roubado eu devo ter lido pelo menos umas vinte vezes, e devo ter assistido mais umas dez. Isso por que eu assistia no horário principal, assistia a reprise e gravava em VHS para ver de novo. Depois que eu comprei o DVD devo ter visto mais umas duas vezes. Bom, ainda bem que eu não era tão aficcionado por todos as histórias, preferindo O ídolo roubado, O Lótus azul, Tintim na América e os Charutos do Faraó. Eu gostava mesmo das que eram mais investigativas, cheias de mistério e não envolviam animais (como Tintim e a ilha negra), que eu achava meio bobo. E para mim, a melhor de todas era O ídolo roubado.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.