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É díficil falar de quem estar começando, mas, o que posso falar de Pedro Cobiaco é que ele tem um futuro brilhante. O primeiro trabalho dele que li foi o Harmatã e me apaixonei pela história e pela forma que ela foi contada. O modo como ele usou as imagens simplesmente me encantou.

O resultado alcançado nesse álbum me deixa ansiosa e curiosa para ver mais trabalhos dele. Fiquei com aquele gostinho de quero mais.

Porém vamos com calma. Você ainda não sabe quem é Pedro Cobiaco? Não conhece o gibi que estou falando? Então vamos lá:

Harmatã eu resenhei para o Quadro a Quadro, logo após voltar da minha primeira experiência com o FIQ, e vocês podem ler sobre clicando aqui.

Quanto ao Pedro, não perca nem mais um segundo nas minhas palavras, e leia essa breve entrevista com esse menino que com certeza vai longe! Quer apostar? Eu aposto!

 

  1.  Como surgiu o Loki?

O embrião da Loki (quando ainda era apenas revista) surgiu do meu projeto pessoal de fazer uma revista de quadrinhos em menos de duas semanas, uma forma de vencer minha procrastinação, hahaha. Em pouco tempo essa ideia se mutou numa outra: fazer, em menos de duas semanas, uma revista com todos os melhores artistas jovens do país, uma vitrine pra que todo mundo de fora pudesse enxergar nosso trabalho com uma força em conjunto, uma tempestade, e não só um ou outro artista adolescente espalhado por aqui, por ali. (sei lá como caralhos foi se mutar nesse treco ai a ideia original). Logo a revista foi lançada, e todo mundo ali ficou muito amigo, criou uma conexão forte e especial, e foi natural que tudo acabasse convertendo num coletivo, uma força ainda maior do que a publicação impressa por si só. Hoje temos vários projetos em conjunto dentro da Loki, envolvendo duplas, trios, e ocasionalmente o coletivo inteiro trabalhando em uma só criação. Isso pra não mencionar que ainda nesse semestre a segunda revista vem ao mundo.

 

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  1. Como foi o processo de criação de Harmatã?

Mais uma vez, foi um processo de ideias se mutando, se fundindo. Eu tinha quatro ou cinco ideias diferentes pra um quadrinho naquele mês em que surgiu a Harmatã, e precisava terminar uma história pra levar pro FIQ. Acontece que todas as ideias eram muito insossas, mas tinham uma base. O foco principal era: criar uma HQ que fosse guiada por um diálogo onde nenhum dos protagonistas aparecesse, e ao invés disso fosse usado metáforas visuais pra acompanhar o diálogo, e misturar poesia com quadrinho (eu ainda não tinha percebido que as duas coisas sempre andaram juntas). Um dia eu descobri a palavra “harmatã” através de um livro do Chinua Achebe, um grande escritor nigeriano e, como mágica, sei lá como na verdade, ahaha, todas as ideias que eu tinha se fundiram num click, o supérfluo foi eliminado e sobrou o que depois veio a ser a Harmatã. Tudo através do título.

 

  1. Quem quiser comprar Harmatã, onde pode encontrar?

Até o final de fevereiro entra à venda na loja online da editora que eu mantenho com meu pai, a Oficina Cobiaco

 

  1. Qual o seu quadrinista favorito?

Sem dúvidas é o David Mazzucchelli.

 

  1.  Tem novos projetos em mente?

Vários. Alguns antigos por terminar (tenho uma fama que eu adoraria perder de não terminar projetos) e alguns novos se preparando pra florescer.

 

  1. O que acha do mercado de quadrinhos atualmente?

É difícil fazer uma comparação, já que eu nasci como autor no mercado de quadrinhos atual, hahaha. Eu vejo que nós não temos mais publicações de tiragens colossais no mercado independente, como se havia nos anos 80 com a Chiclete com Banana e a Circo, mas isso, por outro lado, não faz tanta falta graças a variedade atual. Hoje em dia tem muito mais espaço e muito mais gente se auto publicando, impresso ou virtualmente, e essa variedade colossal parece suprir qualquer buraco que pudesse existir, é uma ótima compensação, eu acho. O mercado de quadrinhos brasileiros é o meu favorito nos tempos atuais, sem dúvida alguma. Claro que tem esse fator do quão incrível é o túnel que os gêmeos [refere-se aos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá – Nota da Entrevistadora] escavaram daqui para o exterior, e como obras que nem o álbum Daytripper (que é um dos meus quadrinhos favoritos) e que acabou fazendo muito sucesso lá fora, rompendo uma forte barreira.

Contudo, ainda assim, as coisas que mais me alegram ver são os quadrinhos que estão sendo publicados por aqui mesmo nos últimos anos. É uma gama de autores enorme de encher os olhos, e tem muita “coisa do caralho” sendo feita. Apesar de tudo isso, eu sinto que alguns olhos não se viraram por completo pra coisas ainda mais novas que estão pra explodir. Eu ficaria de olhos abertos para as publicações de coletivos como a Libre, que não tem toda a atenção que ela merece, contando com alguns dos maiores nomes do futuro do nosso quadrinho. O que está acontecendo exclusivamente na internet não deve ser ignorado também, é de lá que tem surgido boa parte do ouro nos últimos tempos.

 

  1. Qual o seu personagem de quadrinho favorito?

Acho que deve ser o Asterios Polyp. Mas é difícil, tem muita coisa. Talvez o Bob Cuspe.

 

  1. Qual HQ você indica para alguém que está começando a ler quadrinhos?

Isso depende, eu teria que conhecer a pessoa melhor pra poder indicar com uma base, depende do cara e do que ele gosta, mas eu indicaria começar pelos mestres maiores: Laerte e Angeli. Se nenhum dos dois agradar, foda-se esse cara então.

 

  1. Qual é o seu livro de cabeceira?

Pergunte ao Pó [Obra de John Fonte – Nota da Entrevistadora]. Eu sou Arturo Bandini [Protagonista da obra citada – N.E].

 

  1. Qual é o seu filme favorito?

Difícil, hahaha. Não consigo escolher tão fácil. Ultimamente eu tenho visto alguns novos filmes que eu gostei pra caralho, e isso mexe com meus sensores, não consigo escolher nesses períodos. Antigamente eu costumava responder “O Profissional” ou “Um Estranho no Ninho”, que sem dúvidas ainda estão no topo da minha lista de favoritos. Hoje eu já não sei, tenho me interessado muito por cinema latino, por cinema nacional. Depois que essa entrevista sair, aposto que eu vou saber a resposta.

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Em nome de toda a equipe Quadro a Quadro, agradeço o Pedro Cobiaco pela boa vontade de fazer a entrevista e ao Rafael Roncato pela foto cedida.