vitor cafaggi 01

Aproveitando que Valente Por Opção, o terceiro encadernado de tirinhas do carismático cãozinho, foi lançado no FIQ pensei em escrever sobre ele em uma resenha, o que cheguei a fazer, mas como não me senti satisfeita com o que havia escrito, procurei por alternativas que fugissem da tradicional resenha. Foi então que me veio a ideia de entrevistar o Vitor, para saber mais sobre as mudanças bacanas que aconteceram na vida dele e do Valente este ano. Espero que todos possam desfrutar do conteúdo da entrevista e que aqueles que não chegaram a ler algum material do Vitor ainda, o façam, pois vale muito a pena.

1) Como surgiu Valente?

Valente surgiu quando o jornal O Globo me convidou para criar uma série de tiras para a sua página dominical. Como eu não tinha muito tempo para criar, resolvi contar uma história que eu já conhecia bem, com personagens que eu conhecia tão bem quanto conheço meus amigos, minha família, minhas ex-namoradas. Valente é totalmente baseado na minha adolescência. Escolhi um certo momento, bem representativo, em minha vida e segui contando minha historia a partir daí, através de tiras com cachorros, gatos, pandas e macacos.

2) Qual foi a receptividade do público na primeira tirinha de Valente, publicada no jornal O Globo?

Na primeira tirinha eu não sei. Mas com pouco tempo que a tira começou a ser publicada no jornal, eu comecei a receber e-mails de pessoas que estavam acompanhando. Achei legal porque não eram tantas pessoas, mas as pessoas que fizeram isso se deram ao trabalho de procurar saber quem eu era no google, achar meu e-mail e me escrever comentando que estava gostando das tiras, que tinha começado a colecionar as tirinhas pelo jornal e, principalmente escreviam dizendo o tanto que se identificavam com o personagem.

3) Como foi compilar as primeiras tirinhas do personagem em Valente Para Sempre?

Foi uma decisão de última hora. O FIQ de 2011 estava se aproximando, Duo.tone ficou pronta duas semanas antes do evento e nesse meio tempo decidi fazer o primeiro encadernado de tirinhas do Valente. Na verdade, eu já vinha pensando nisso há um pouco mais de tempo, tanto que já tinha feito um orçamento na gráfica e já tinha pedido para alguns amigos fazerem os desenhos da galeria de convidados. Mas a decisão de fazer mesmo foi bem de última hora. Acho que montei o livro mesmo em menos de 24 horas. Desenhei a capa uma noite, no dia seguinte montei a capa e o livro e mandei pra gráfica. Valeu muito a pena ter feito isso.

4) Como foi realizada essa parceria com a Panini?

A conversa com a Panini começou em 2012, durante o FestComix, em São Paulo, enquanto eu lançava o segundo volume, Valente Para Todas. Nessa primeira conversa, a editora demonstrou interesse em lançar tanto o Valente, quanto o Puny Parker. Ao longo de 2013, continuamos conversando sobre essas duas possibilidades. A Panini continua tentando viabilizar a publicação do Puny Parker com a autorização da Marvel, o que seria o máximo. Pouco antes do FIQ, mais uma vez em uma decisão bem em cima da hora, fechamos essa parceria em relação ao Valente. Pra mim, está sendo ótimo porque as revistas com a Panini chegarão a lugares que eu, como independente não consigo chegar. Outro ponto positivo é que não preciso mais me preocupar com a distribuição, com o controle das vendas e o envio das revistas, sobrando mais tempo pra escrever e desenhar. Somente durante os meses de junho, julho e agosto desse ano, vendi e mandei mais de 600 revistas pelo correio. Isso toma muito tempo. Fora que produzir uma série de quadrinhos de forma independente vai ficando cada vez mais difícil à medida que a série vai crescendo. Por exemplo, pra cada volume novo do Valente que sai, é importante que eu tenha os volumes anteriores disponíveis à venda. Porque acaba que o lançamento da edição mais nova, puxa o interesse dos leitores para os volumes anteriores. Nesse FIQ, se eu quisesse fazer uma nova tiragem dos esgotados Valente #1 e Valente #2 pra acompanhar o lançamento do terceiro, eu ia precisar de, no mínimo, R$14.000,00 pra impressão. Aí já começa a ficar cara essa produção. Já teria que procurar outros meios, como o Catarse, pra viabilizar isso. Publicar um quadrinho independente, investir cinco ou seis mil reais pra fazer uma tiragem de mil ou de dois mil exemplares é uma coisa, fazer isso com uma série já é bem mais complicado. Espero muito que continue dando tudo certo com a Panini.

5) Em 2014, quais projeto você têm para o Valente?

De mais certo, só o lançamento do quarto volume do Valente. Mas existe a possibilidade de aparecer mais coisa por aí.

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Em nome de toda equipe Quadro a Quadro, agradeço ao Vitor não só pela entrevista, mas pela simpatia e o carinho com que sempre nos atende. Agradeço também as fotos cedidas gentilmente pela Mitie Taketani.