elvis-capa“Excêntrico”, “Rei do Rock”, “depressivo”, “único”… Essas são apenas algumas das expressões que definem um pouco de Elvis Presley. Mas não podemos negar, ele merece o título de influenciador, seja na música, seja no estilo de vida, e, não menos importante, no corte de muito “topetudo” por aí!

Sua imagem estampa, mesmo após quase quatro décadas de sua morte, os corações de muitos fãs mundo a fora, bem como canecas, camisetas, sem número de discos, filmes, páginas e mais páginas de redes sociais, e nos Quadrinhos não poderia ser diferente.

Goste ou não do protagonista, uma edição que merece o seu olhar, amigo leitor, é “Elvis” (Editora 8Inverso). Organizado por Reinhard Kleist (de “Jonhy Cash – uma biografia”) e Titus Ackermann (cofundador da revista MOGA MOBO) – tradução de Margit Neumann e Michael Korfmann, tem seu rol de quadrinistas, além dos organizadores, nomes como Isabel Kreitz, Søren Mosdal e Thomas Von Kummant, boa parte com carreira expressiva na Alemanha.

O mais interessante que acerca o álbum é a velocidade que lerá cada página. Sim, os dez capítulos presentes são enxutos, mesmo com os estilos distintos de cada artista. Um destaque é o capítulo desenhado por Isabel Kreitz (“Elvis is Back”), com um Presley maduro, sério e demasiadamente sedutor, que conquistara sua Priscilla com doçura e ousadia. Outro exemplo é “O Colonel”, por Kummant, com um traço que nos lembra os bons filmes dos anos 50, com direito a Blues Suede Shoes, uma das canções mais emblemáticas do repertório de Presley (e que eu mais gosto, confesso). 

elvis-page-2Se for para pensar, Elvis Presley tem esse “quê” metamórfico: da infância sofrida ao astro da música, do auge para “Aloha from Hawaii”, do modelo de marido perfeito ao viciado em anfetaminas – aliás, existem muitas controvérsias quanto a esse quesito, eis aí mais uma ponta dessa constante mutação. A HQ em si é um retalho grande e bem costurado de traço e história, um documento dessa vida tão controversa que vivera o gêmeo sobrevivente, nascido em janeiro de 1935 em Tupelo, Mississipi.

A única certeza é que ninguém fica indiferente a figura de Elvis e como diria Mister Lansky, um austero comerciante em Memphis, que outrora viu o garoto de costeletas ‘paquerando’ alguns dos ternos pela vitrina de sua loja: “Ainda vamos ouvir falar muito dele. Ou ele vai dar com os burros n’água”.    

— Jornalista freelancer, moradora de S. Miguel Paulista - SP e também colabora para o portal Jornalirismo (www.jornalirismo.com.br). Nas horas vagas, lê Quadrinhos. Nas outras também. Mais em http://twitter.com/keliv1