marcelo1Por Marcelo Buzzoni*

* Marcelo Buzzoni é convidado do Quadro a Quadro. O conteúdo desse post expressa a opinião do autor, que é plenamente responsável pelo mesmo.

 

Echo – Abstract Studio – mar/2008 a mai/2011 (30 edições) – Terry Moore

Comecei a ler Echo via Scans. Não lembro por qual grupo de scans fiz essa leitura, mas lembro que dois grupos diferentes traduziram esse material. Publicada nos EUA de 250px-Echo1forma independente, ainda não há sinal desta série no Brasil, a qual compraria com prazer, mesmo tendo lido ela toda pelo computador.

Terry Moore é por nós conhecido pela série Estranhos no Paraíso (Strangers in Paradise), série lançada no Brasil de forma irregular. Mas é uma das melhores histórias em quadrinhos que li até hoje. Nesta série, o autor a escrevia e desenhava. Para quem não a conheceu, tratava-se da história de duas amigas e mais um rapaz. Uma das meninas é uma gordinha com sérios problemas alimentares, que vêm com seu nervosismo e timidez. A outra esconde muitas coisas em seu passado, sabendo, por exemplo, várias formas de matar uma pessoa. A história é incrivelmente cativante, com pessoas de verdade, com sentimentos de verdade, um desenho lindo e coisas como teorias da conspiração, mafiosos (e mafiosas…), disputas familiares, amizade e muito, muito amor.

Conhecendo este autor – que considero fantástico apenas por esta obra – comecei a ler este seu segundo trabalho: Echo. Nesta série ele, de novo, faz tudo: escreve, desenha, edita (o Abstract Studio é dele e da esposa), se deixar deve até vender. O plot inicial é o seguinte: uma empresa de segurança – de alguma forma ligada ao governo dos EUA – está testando uma nova liga metálica em uma funcionária sua (Annie Trotter) que voa com este traje com propulsores em suas costas. Ocorre que alguma coisa dá errado e ela explode, juntamente com a tal liga metálica que cai na forma de bolas de metal líquido. 

Passando por ali, de carro, na hora errada, Julie Martin, uma fotógrafa, vê a explosão e recebe parte da chuva de bolas de metal que se impregnam em seu corpo. Ao longo da série descobrimos que parte do estranho metal tomou contato com outra pessoa. Com aquele metal cobrindo seu corpo – numa espécie de armadura – ela percebe-se mais forte e com a propriedade de emitir rajadas elétricas, mas no início ainda não sabe como estes poderes funcionam e nem que se se devem a este metal. Ao mesmo tempo em que esta placa de metal lhe traz estes novos poderes, também traz memórias da antiga (e primeira) usuária: Annie.

echo_okJulie precisa, então, fugir sem entender o que ocorreu exatamente já que sua primeira reação é abrir uma enorme cratera no meio do deserto ao tentar se defender dos militares que tentam atacá-la. Em seu encalço vai a agente especial Ivy, que foi contratada pela empresa de segurança e que de perseguidora, vira parceira de Julie quando é traída por seus contratantes. No caminho, Julie encontra ajuda com Dillon Murphy, ex-namorado de Annie, o que, com as memórias da antiga usuária do traje, traz situações inusitadas.

Aos poucos a trama vai ficando mais complexa com a entrada de novos personagens, conspirações e explicações sobre o material do chamado Traje Beta usado por Julie. Terry Moore utiliza conceitos de física quântica para explicar alguns eventos, mas não deixa de lado questões como mitologia, religião e, principalmente, relações humanas.

Mais uma ótima série que infelizmente não é sequer cogitada de ser publicada no Brasil enquanto lá fora já foi lançado um encadernado com as 30 edições em um volume único, tendo sido também indicada aos principais prêmios de quadrinhos.
 

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Marcelo é advogado, historiador, professor de história e, nas horas vagas, escreve sobre quadrinhos. Deixaria tudo isso de lado se fosse escolhido para ser o Lanterna Verde da Terra.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.