Faltam poucos dias para o dia 21 de dezembro de 2012, data em que os Maias profetizaram o tão aclamado fim do mundo.

Muitas das explanações sobre esse episódio diz que o que ocorrerá de fato é uma mudança de paradigmas, um episódio que acarretará toda uma nova forma de pensar…

Bem, esoterismos a parte, é interessante como alguns episódios recentes traz em si toda uma série de reflexões sobre o futuro do mundo dos quadrinhos.

Um deles foi a notícia do fim do selo Barba Negra.

Com quase dois anos de vida, o selo surgiu através de uma parceria com a editora Leya. Responsável pelas publicações de quadrinhos, a Barba Negra fez um trabalho muito significativo, trazendo títulos espetaculares nada nada mainstream, como O Gosto do Cloro e Cicatrizes. O grupo também apostou – e muito – na produção nacional, onde teve o destaque do aclamado O Morro da Favela, que este ano foi publicado na França e no maravilhoso Encruzilhadas.

A editora Leya apenas confirmou o lançamento dos álbums que já estavam programados e ainda não disse mais nenhuma palavra sobre os motivos pelo qual levou o fim da parceria.

Isso justo no ano em que a Barba Negra ganho o Troféu HQ Mix de melhor editora de 2011.

 

A outra foi o fim do coletivo Quarto Mundo.

Um dos coletivos mais bem sucedidos no mundo dos quadrinhos nacional encerra as suas atividades. Depois de cinco anos de produção e muitos prêmios, o grupo se desfaz com um clima de "caminhos diferentes" entre os membros. A última programada do grupo é uma festa no próximo dia 15 de dezembro, lá na Livraria HQ Mix, em São Paulo, com o objetivo de vender o acervo do coletivo. 

A notícia foi publicada exclusivamente em primeira mão pelo blog do Paulo Ramos, o Blog dos Quadrinhos. Lá, algums integrantes do coletivos fala um pouco sobre os motivos do fim.

 

Ambas as notícias pesam por se tratar de dois grupos que marcaram e muito a forma de se pensar os quadrinhos aqui no Brasil e traz em si uma sensação de desolação, quase um abandono.

E diante de tudo isso, não pude deixar de fazer a analogia com o fim do mundo previsto pelos Maias. Para o mundo dos quadrinhos, é um fim que traz em si uma metáfora muito interessante a se refletir. Pegar todas as coisas que a Barba Negra e o Quarto Mundo ensinaram e terminar a mudança de paradigmas que eles ajudaram a construir nos últimos anos.

E claro, não desanimar.

— Adalton nasceu no último dia de uma lua cheia, mas acha que isso não tem nenhuma relação com a sua vida; começou comprando quadrinhos por puro modismo - uma edição da Turma da Mônica parodiando Jurassic Park; sua primeira compra consciente foi a edição nº 01 de Batman: A queda do Morcego, ainda formatinho. Acredita que irá terminar a graduação em Letras antes da catástrofe de 2012 e daqui até lá está estudando parte das traduções intersemióticas das peças de Shakespeare já produzidas. E nos interlúdios, tenta produzir roteiros a partir idéias rabiscadas em antigos pedaços de papel.