Aceitei de bom grado esta missão: escrever um perfil sobre Joe Simon, co-criador do tão aclamado Capitão América. Embora a minha iniciação como leitor assíduo de quadrinhos tenha se dado através das histórias de super-heróis, há décadas não acompanho as mais diversas linhas editoriais que os títulos adotaram. Para completar, naquela época, eu também não era lá muito interessado em saber quem produzia tal e tal história. Bastava-me o consumo das histórias e nada mais.

Por isso é meio complicado para mim escrever Joe Simon. O pouco que sei veio de algumas pesquisas da wikipedia e alguns textos pela internet. Mas como todo pesquisador que se preze, a curiosidade em conhecer um pouco mais a respeito do tal falou mais alto e lá estava eu, procurando coisas interessantes para escrever.

Bem, o básico muita gente provavelmente jå deve conhecer: Joe Simon, junto com Jack Kirby, foi um dos criadores do Capitão América.

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Nascido em 11 de outubro de 1913, Hymie Simon é um dos reflexos do que foi do que foi Nova York nos primeiros anos do século 20: um depositários de sonhos e esperanças para aqueles que vinham do além-mar. Filho de Harry, um imigrante que partira de Leeds, Inglaterra e Rose, uma moça judia que Harry conhecera em terras americanas, Hymie era uma das representações da esperança daqueles tempos difíceis.

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Em 1932 foi contratado como diretor de arte do Rochester Journal-American e não demorou muito para que fizesse parte da equipe da Timely Comics (a proto-Marvel naquela época). Lá criou seu primeiro super Fiery Mask e entre um freela e outro, acabou conhecendo o jovem Jack Kirby.

Juntos, agitaram e muito a cena dos quadrinhos de super-herois que tinha tomado forma e algumas desavenças depois, ambos começaram a trabalhar para a rival, DC Comics. 

Entretanto, em meio a tais informações históricas, apareceu-me um texto escrito pela neta de Simon na época de lançamento do filme Capitão América 2: O soldado invernal. Ela comentava sobre como ainda existem pessoas que desconhecem que o seu avó fora um dos criadores do Capitão América. Em algumas interpelações dela, alguns desconheciam, uns poucos acertavam e a incrível maioria respondia que tinha sido o Stan Lee. Foi interessante perceber uma certa tristeza da parte dela ao comentar em como o Joe Simon, junto com a família, enfrentou por muito tempo uma batalha judicial para ter seu nome ligado à criação a um dos símbolos dos Estados Unidos. E é triste rememorar o quanto a história dos quadrinhos é recheado de injustiças com os mais diversos autores. O texto finaliza com ela agradecida com o fato do avô ter vivido o suficiente para ver seu nome nos créditos do primeiro filme desta nova franquia do Capitão América e dizendo que nunca perde a oportunidade de fazer com que as pessoas conheçam um pouco mais sobre o seu avô.

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Alguns dias depois de ler tal relato, fui conferir O soldado infernal e, esperando pelas cenas extras, um tanto quanto escondido no meio dos créditos, pude ver os nomes de Joe Simon e Jack Kirby. Em meio a uma turba impaciente que ia embora sem nem mesmo conferir aquilo que já virara tradição nos atuais filmes de super-heróis, me perguntei: "Quantas pessoas param para refletir sobre aqueles dois singelos nomes que apareceram ali? Será que tentam se transportarem para o cenário que viabilizou a criação daquele mesmo personagem que acabaram de assistir? Quantos ali acham que o bom moço foi crieado pelo Stan Lee?"

Bem, nunca fui fã do Capitão Améria, mas gostaria muito de um dia encontrar com a Megan (a neta do homem), dar um abraço bem apertado e dizer um sincero "muito obrigado".

 

Para conferir o texto da Megan Margulies (a neta do Joe Simon), basta clicar aqui.

— Adalton nasceu no último dia de uma lua cheia, mas acha que isso não tem nenhuma relação com a sua vida; começou comprando quadrinhos por puro modismo - uma edição da Turma da Mônica parodiando Jurassic Park; sua primeira compra consciente foi a edição nº 01 de Batman: A queda do Morcego, ainda formatinho. Acredita que irá terminar a graduação em Letras antes da catástrofe de 2012 e daqui até lá está estudando parte das traduções intersemióticas das peças de Shakespeare já produzidas. E nos interlúdios, tenta produzir roteiros a partir idéias rabiscadas em antigos pedaços de papel.