Como já é de praxe, Quadrados e Quadradas novamente se superaram e trouxeram as mais variadas dicas possíveis! E digo mais, sem nenhuma orientação específica para isso. Este mês trazemos dicas de hqs nacionais, européias, norte-americanas e mangás. Confira!

► Dica do Marcelo Buzzoni

MagdaMagda, de Rafael Campos Rocha

Depois de "Deus, essa gostosa", Rafael Campos Rocha lança pela Cia das Letras seu novo álbum de quadrinhos: "Magda".

Nessa história, um ser antigo e muito poderoso entra numa relação simbiótica com a humana Magda, assumindo seu corpo em diversos momentos. Com toda uma conspiração envolvendo militares, cientistas, o pré-sal, Magda se torna uma arma de destruição em massa capaz de salvar ou destruir todo o mundo. As influências de Jack Kirby, Moemius, Robert E. Howard e Milton Caniff ficam claras a cada página lida dessa interessante história de ficção.

 

► Dica da Dani Marino

Graphic MSP – Mônica: Força, de Bianca Pinheiro

Ao ser perguntado por Sidney Gusman se uma história poderia ser feita usando a Mônica, Maurício de Sousa respondeu : "Numa Graphic MSP, sim!"13723874_1028258700575983_1643989634389217226_o

Já imaginava que Força, de Bianca Pinheiro, traria uma carga talvez um pouco mais pesada do que estamos acostumados a ver na versão tradicional da personagem. O suspense vinha sendo trabalhado por Sidney Gusman nos eventos de quadrinhos desde 2015, quando a edição foi anunciada e já sabíamos que Mônica teria que enfrentar uma situação complicada, mas até ler a HQ, ninguém tinha ideia do que seria.

Embora o público da coleção Graphic MSP não seja o mesmo da sua versão infantil, tanto Maurício de Sousa como Sidney Gusman sabem que eventualmente essas histórias chegam nas mãos de crianças, por isso, por mais que Força aborde um tema delicado, não chega a ser uma história pesada como imaginei que seria. Na verdade, Bianca conseguiu conferir leveza e delicadeza a uma narrativa que pode ser lida por pessoas de todas as idades e confirma que a escolha para ser a responsável pela primeira história solo da personagem mais icônica dos quadrinhos brasileiros foi mais do que acertada.

 

► Dica do Rafael Cordeiro

capa_aberta_sopadesalsicha_releaseSopa de Salsicha, de Eduardo Medeiros

Sopa de Salsicha é um relato do processo que, com a desculpa de produzir uma graphic novel, ajudou o autor a começar a se entender com as escolhas que fez na vida.

Através desta quadrinhoterapia, o leitor explora as angústias e os desafios da evolução social de um ser humano – crescer, escolher e consolidar uma carreira ao mesmo tempo em que pessoas vão passando – algumas, mais passageiras do que outras. E em meio a esse turbilhão de experiências, fica evidente o peso de uma musa norteadora na leveza dada aos momentos difíceis, garantindo a continuidade da jornada.

A arte é um espetáculo à parte; além do traço ter personalidade, a paleta de cores traduz a natureza solitária e paradoxalmente solidária de grande parte dos quadrinhistas – não só no que diz respeito ao modo de produção de HQs, mas também em termos de interação social.
                                                  
Ao final de uma leitura leve e com sabor de banana, fica o gosto de "quero mais".                                                                     
 

► Dica do Daniel Maioral

Companheiros do Crepúsculo, de Bourgeon

Desde a publicação da primeira Famous Funnies, o primeiro "gibi" dos tempos modernos, em 1933, os apreciadores de quadrinhos foram ocasionalmente agraciados com aquilo comp crepque podemos chamar de "Obras de Arte". Os famosos exemplos que usamos para argumentar contra a frase: "Quadrinhos é coisa de criança". Cada um tem aquele especial que toca o coração; podemos citar os contos poéticos de Sandman, os milagres de Miracleman o mistério que despe o princípio da moral em Watchmen, a corrupção de Sin City, a amizade, amor e fé de Preacher e as lâminas de Do Inferno. Exemplos clássicos de quadrinhos que se igualam ao mais profundo livro literário seja este filosófico ou um romance bem elaborado, mas todos esses exemplos têm algo em comum. Fazem parte do "Universo Marvel/DC". Claro, sabemos que com exceção de Sandman, nenhuma dessas histórias faz genuinamente parte do universo dos super-heróis, mas é difícil encontrar um ávido leitor das duas grandes editoras que não conheça essas obras, agora no entanto é hora de mostrar uma obra de arte que se destaca com a mesma maestria das outras, mas que não pertence as duas grandes editoras e que entra no ramo da frase "sou um Leitor de Quadrinhos", ao invés de "Sou um Leitor de Quadrinhos de Super-Heróis". Estamos falando de Os Companheiros do Crepúsculo.
Com a sinopse: Os Companheiros do Crepúsculo' se passa na Idade Média durante a Guerra dos Cem Anos. A história é centrada nos personagens do Cavaleiro, Mariotte e Anicet, em sua busca por redenção ou pela simples sobrevivência. Misturando fantasia e lutas sangrentas, cenas cotidianas e um tom de erotismo, um dos destaques desta HQ é o detalhado traço do autor, procurando transportar os leitores para os cenários e o clima da época.

A história não pode ser descrita de nenhuma outra forma senão como "Perfeita". Do começo ao fim você mergulha num mundo de mágica e batalhas, de honra e traição e de contos e criaturas que o farão lembrar de Morfeus e o Reino das Fadas assistindo a peça de Shakespeare em Sandman. Escrita por François Bourgeon a obra é elogiada pelo mundo todo e considerada uma das melhores HQs já produzidas, seja pelo seu roteiro verossímil,ou por seus desenhos ricos em detalhes e coloridos de tal forma que fariam Dave McKean desmaiar. As metáforas, construções de personagens cujo caráter é definido não pelas histórias, mas por suas vivências na Guerra dos 100 anos enriquecem a narração de uma forma que raramente temos o prazer de ver. Hoje em dia classificar uma obra como "prima" pode soar banal e efeito do "fanboysmo" gerado pela derramamento de materiais relacionados a nona arte, mas Os Companheiros do Crepúsculo é uma publicação que justifica o título e que reclama a coroa da genialidade e acima de tudo que conquista um lugar na estande de qualquer colecionador.

Editora: Nemo

Autor: François Bourgeon (roteiro e arte) – Originalmente em Les compagnons du crépuscule (tradução de Fernando Scheibe).

Preço: R$ 94,00 – Obs: Corram que na Livraria Cultura pode ser encontrada pela metade do preço.

 

► Dicas do Beto Magnun

MestresModernos2JohnByrneMestres Modernos: John Byrne

Publicado no fim de 2014 pela Marsupial Editora, o livro Mestres Modernos – Volume 2– John Byrne, é escrito por Jon B. Cooke e Eric Nolen-Weathington e traz uma longa entrevista biográfica com John Byrne. Uma excelente pedida para os fãs desse artista que marcou época no mercado de quadrinhos americanos, ou para quem se interessa pelos bastidores. Na entrevista Byrne dá detalhes sobre o inicio de sua carreira, de como era trabalhar com Chris Claremont,  a rixa com o ex-editor Jim Shooter, a polêmica passagem pela DC Comics, o processo narrativo e criativo e muito mais. O livro ainda trás dezenas de imagens seus trabalhos – de comissions a paginas não finalizadas.

 

Fullmetal Alchemist vol 1 e 213508974_1317984248231016_5380145133910372362_n

Essa é a segunda publicação da obra da mangaká Hirumo Arakawa, mas desta vez em formato maior, mais páginas, capa com laminação fosca e cor especial para ficar o mais próximo possível da versão original.

Edward e Alphonse Elric são jovens alquimistas que estão em busca da lendária Pedra Filosofal para recuperarem seus corpos. Nestes dois primeiros volumes além do drama dos irmãos Elric, a autora apresenta um universo fantástico baseado no período pós revolução industrial europeu, a alquimia é uma das mais avançadas técnicas científicas conhecidas pelo homem, além de referências a Cabala.

Além dos belos desenhos, Arakawa brinda o leitor com personagens carismáticos e bem construídos, transita muita bem da ação para os momentos cômicos e principalmente dramas -destaque para o capítulo 5: As angústias do Alquimista – e até questões religiosas.

Fullmetal é uma boa sugestão até para os detratores dos mangás.

 

► Dicas do Guido Moraes

frontFront: 15 anos, uma história

A Front se originou da vontade de vários autores de se autopublicar, fugir dos clichês e temas comuns e principalmente do desafio de experimentar. Esta edição revisita muitas histórias que representam estes ideais. Além disso, a Via Lettera e o Instituto HQ entregam uma edição em capa cartão bem cuidadosa, digna dos anos de aniversário. Nós do Quadro a Quadro somos fãs da Front, e inclusive já publicamos uma das histórias que saiu inicialmente na Front ("Feliz aniversário, feliz obituário"), na nossa coletânea Máquina Zero Vol.2. 

*Obs.: Como você deve ter visto aqui, recebemos esta edição da editora Instituto HQ. Procedemos da seguinte maneira: divulgamos todo o material que recebemos. Quanto a recomendações, temos total liberdade para recomendar ou não as obras. Mais do que recomendo esta edição de aniversário. Confira, tire suas próprias conclusões, questione!
 

Guerras Secretas, Vol.1gs1

Jonathan Hickman conseguiu criar uma das megalomaníacas sagas de super-heróis mais bem organizada de todos os tempos. A construção do prelúdio se deu ao longo de vários anos de narrativa complexa e difícil de acompanhar, muito diferente de outros gibis de heróis da Marvel. No entanto, foi bem construída. Muitos leitores podem achar a escrita de Hickman chata, mas dificilmente vão se achar desrespeitados com a qualidade da trama. Neste primeiro volume de Guerras Secretas, o maior triunfo é a maneira como Hickman aborda Reed, Sue e Valeria Richards, além de Victor Von Doom. Um último alento para os fãs do Quarteto antes que comecem a ser negligenciados pelos planos editoriais/cinematográficos da Marvel.

 

Inumanos, de Paul Jenkins e Jae Lee

Inumanos-marvel-comicsA Marvel não tem clássicos, dizem os fãs da Distinta Concorrência. Entre tantas obras memoráveis (só do Demolidor tem várias), esta obra de Paul Jenkins e Jae Lee poderia muito bem ser considerada um clássico. Jenkins conseguiu contruir uma bela narrativa em poucas edições, baseada na escolha de Churchill ao obter a decodificação do Engima (revisitada recentemente no cinema em O Jogo da Imitação). Aqui em Inumanos, o soberano Raio Negro e sua família real tentam evitar a destruição de Attilan pelos humanos mancomunados com seu perverso irmão Maximus, o louco. Uma história sobre bastidores, algo um tanto incomum de se ver em hqs. Dica pra quem quer conhecer melhor os personagens antes do futuro filme. Vale a leitura.

 

 

 

 

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.