Depois de um longo hiato, para resolvermos problemas de migração do site, estamos de volta. Mas o que importa é o presente, e para aproveitar a escolha dessa palavra, que tal dar um dos quadrinhos recomendados por nós de presente a alguém querido? As opções são muitas:
 

►Lucas Pimenta

Tex – O Herói e a Lenda

texA Mythos não demorou em trazer para o público brasileiro a nova coleção do ranger mais famoso dos quadrinhos, Tex – O Herói e a Lenda, é o primeiro volume de uma coleção "do autor" onde grandes nomes dos quadrinhos nacionais darão vida ao seu tex! O primeiro encarregado da missão, é uma lenda dos quadrinhos italianos, tão quanto o próprio personagem título, e Paolo Serpieri não fez feio. Uma trama de um jovem Tex, ainda com uma farta cabeleira, narrada por um já moribundo Kit Carson, que habita um asilo em Nova Iorque, a um desconhecido pesquisador, apaixonado pela última fronteira americana.

Esse é o plot da trama criada pela lenda dos quadrinhos italianos, Paolo Serpieri, para o lendário Tex Willer, e como John Wayne, no filme dirigido por John Ford, em O homem que matou o facínora, "Quando a lenda for mais interessante que a realidade, imprima-se a lenda", e isso foi feito!

Puxão de orelha vai para a editora brasileira, que apesar do formato álbum, o gibi não teve a impressão com a qualidade que merecia. 

 

► Guido Moraes

Bizarro

Este encadernado compila as seis primeiras edições do título escrito por Heath Corson e desenhado por Gustavo Duarte. Adoro o trabalho do Gustavo bizarrodesde que ele era chargista do jornal esportivo Lance!, e confesso que comprei esta hq por causa da arte dele. No início a história parecia um pouco chata, incomodava ler tantos diálogos confusos por causa do jeitão do personagem Bizarro. Mas logo ela engrena, e fica muito divertida. Uma "road story", história de estrada, de Bizarro e Jimmy Olsen cruzando os EUA. Os autores exploram diversos aspectos da cultura americana, e tem várias sacadas legais. A arte do Gustavo hora economiza nos cenários, hora economiza nos enquadramentos e perspectivas, mas é sempre muito competente na narrativa. Seu traço se mantém lindo por toda a edição, e ele conta com a companhia de artistas convidados em um ou outro quadro. A turminha? Ninguém mais ninguém menos que Bill Sienkiwcz, Rafael Albuquerque, Tim Sale, Moon e Bá e o saudoso Darwyn Cooke. Definitivamente vale o investimento.

Gotham City contra o crime 

Este mês resolvi reler algumas coisas. Esta foi uma delas, e é muito bom ver como a série ainda funciona muito bem, numa mistura dos seriados de polícia como Lei e Ordem, CSI, Dragnet e a farta galeria de Vilões do Batman. São várias as histórias onde os autores trabalham vários Vilões um após o outro, mas nessa Brubaker e Rucka realmente conseguem elevar a outro patamar, deixando o leitor curioso e ansioso pelos próximos acontecimentos. Funciona mesmo que numa releitura. Mais que recomendo.
 

 

►Daniel Maioral

Superman Paz Na Terra:

ScreenHunter_07 Jun. 15 21.27Lançada em 1999 como parte de um especial em cinco partes que continham histórias do Batman, Mulher Maravilha, Superman, Capitão Marvel (não, o nome não é SHAZAM!) e Liga da Justiça: Liberdade e Justiça, Superman: Paz na Terra de Paul Dini e Alex Ross pode ser entendida única e exclusivamente como tudo aquilo que O Homem de Aço, ou qualquer outro filme do Superman deveria ser. Poucas vezes numa HQ temos a chance de ler um trabalho que capte tão belamente e de maneria completa a essência de um personagem. Paz na Terra não é uma luta contra Lex Luthor, uma demonstração das habilidades do Superman ao derrotar um déspota alienígena e libertar um planeta, muito menos O Homem de Aço em ação com a LJA… Paz na Terra é sobre o maior poder de Clark Kent, seu coração, sua capacidade única e absoluta de dar sem esperar nada em troca, seu talento de inspirar e agir com base na esperança que as pessoas um dia se erguerão em conjunto e dirão que o Superman pode enfim descansar. E o grande vilão da história? A Humanidade.

Em pleno natal Superman decide usar seus poderes para alimentar o mundo todo, com apoio e permissão da ONU ele recolhe toneladas e toneladas de alimentos e parte para distribuir ele pelo mundo (com direito a uma visita à terras cariocas), e em toda a HQ, que reflete o choque de ver as condições humanas que o Governo ignora, e com direito a uma poderosa informação sobre as condições americanas de produção de alimentos, vemos que a tarefa do Homem do Amanhã é dificultada pela ganância, corrupção, preconceito, xenofobia e outros aspectos que dificilmente são abordados nas páginas do azulão sem que venham da mente do careca nº 1 de Metrópolis.

►Sérgio Barreto

Os Poucos e Amaldiçoados – parte 1

O gibi apresenta um mundo pós apocalíptico onde uma caçadora de maldições tenta ganhar a vida honestamente. O roteiro é simples e direto, a arte é poucosmuito boa e o conjunto da obra oferece uma história bacana, te deixando curioso pelas próximas partes (esta é a parte 1 de 6). Tanto esta primeira parte quanto a segunda (entrega prevista pra julho de 2016) foram o resultado de campanhas bem sucedidas no Catarse, e isso dá uma ideia do nível do que anda sendo publicado através de financiamento coletivo.

Homem-Animal – A Origem das Espécies

Dando continuidade a republicação da fase do roteirista Grant Morrison à frente do título do Homem-Animal, este segundo encadernado avança ainda mais sobre a loucura que é a vida de Buddy Baker. A quebra da quarta parede, iniciada na história O Evangelho do Coiote (no primeiro encadernado), avança e a fronteira entre o mundo de Buddy e o nosso fica ainda mais diáfana.

Homem-Animal – Deus Ex Machina

Este encadernado encerra a fase Grant Morrison à frente do título, onde ele reinventou o personagem originalmente criado em 1965. Aqui personagens do multiverso DC fazem uma participação especial, a vida de Buddy Baker vai completamente pro buraco, a quarta parede some e vemos uma conversa, como posso dizer… Inusitada. O sucesso deste trabalho de Grant Morrison foi um dos motivadores da criação do selo Vertigo, onde a DC dava maior liberdade criativa aos autores e e onde síram coisa sfantásticas como Preacher, Transmetopolitan e Sandman. 

Constantine Hellblazer – Fantasmas do Passado

Ainda que, na minha opinião, não seja o melhor volume dos encadernados de Hellblazer, se você é fã do mago vai querer ler esse. A história é interessante e mostra um pouco do passado conturbado do feiticeiro sem caráter, a arte acabou deixando Constantine mais jovem do que estou acostumado, mas nada que comprometa.

papaPapa-Capim – Noite Branca

Ao contrário do que aconteceu com muita gente, as prévias desta nova edição da Graphic MSP não me empolgou – talvez pelo pouco contato que tive com o personagem. A história é bem conduzida pela Marcela Godoy e a arte do Renato Guedes encaixa perfeitamente na narrativa, fazendo a leitura fluir gostosa e empolgante. Excelente pedida de quadrinho.

Astro City vol. 5 – Heróis Locais

Quando a gente pensa que o roteirista Kurt Busiek e sua turma já haviam chegado ao máximo no último volume de Astro City, eles mostram que para eles não existe esse negócio de máximo. Neste quinto volume as relações de pessoas comuns com os supers de Astro City (e imediações) são exploradas com maestria, levando você a imergir completamente em um mundo onde super poderes são comuns, mas as ações dos super heróis causam consequências nas vidas das pessoas de forma imprevisível e emocionante.

O melhor de tudo é que não é necessário ler os encadernados em uma determinada ordem. É desejável que se faça isso, mas se você quiser começar a conhecer Astro City por este quinto volume começa muito bem.
 

►Keli Vasconcelos

Fabio Q 

Ilustrador, Fábio Q. (pronuncia Fábio Quill) usa do traço e da palavra para mostrar os cotidianos e mazelas da cidade, seja usando-as como tela, seja fabula-fabioq-keliem seus trabalhos. Autor da HQ “Janela da Alma”, Fábio também se aventura no zine, como em “Fábulas nunca morrem” (edição limitada). O livro mistura conto e música, com o EP incluso da banda “Elo da Corrente” e uma ilustração vertiginosa na primeira página. Site: http://fabioq.com
 

►Beto Magnun

Cerebus – Book 1

Cerebus, é um dos títulos independentes mais importantes das histórias em quadrinhos. Infelizmente Dave Sim vetou traduções durante tanto tempo que sua obra ficou desconhecida fora do espaço anglófono. Porém recentemente o próprio Sim, disponibilizou os dois primeiros volumes de Cerebus para download (as primeiras 50 edições do titulo mensal). 
Com Cerebus, Sim criou o que viria a ser conhecido no mercado de quadrinhos como trade paperback os tão queridos encadernados. Book 1, conta as origens do guerreiro Cerebus, o aardvark, desde o momento em que é permitido ao leitor conhecer a sua misteriosa história. As primeiras edições como o próprio Sim dizia, são simples paródias do Conan do Barry Widsor-Smith. Mas o que interessa mesmo é o arco High Society, nele o autor finalmente consolida seu belo traço e o roteiro mescla com perfeição humor (há inúmeras sátiras dos heróis da Marvel, o Mago Elric, de Meninboné e claro o bárbaro Conan), sexo, religião e política. O começo é tortuoso, mas após o início de High Society, fica claro porque Cerebus foi um marco nos anos 80 e Dave Sim um dos autores mais respeitados do meio.
Link para download (em inglês): http://www.cerebusdownloads.com/freecerebus/getBOOKs.html 

cerebus_vols_1_and_2

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.