Os quadrados novamente se juntam, para dar dicas do que leram em Fevereiro. Hoje contamos com as sugestões de Marcelo Buzzoni, Beto, Sergio, Rafa e Guido. Como sempre, os títulos foram os mais variados possíveis. Confira:
 

Marcelo Buzzoni

Esther e Helena

65045_gg"Esther e Helena": série em dois volumes, publicada pela Companhia das Letras entre 2009 e 2013, cada uma focando em uma das duas personagens que dão título para a obra. No primeiro volume, 'Segredo de Família', o foco é em Helena que conta para seu neto histórias de sua juventude na Holanda sofrendo com a invasão nazista, até a desocupação pelos aliados. Conta também da sua amizade com Esther, uma garota judia vinda com sua família emigrada da Alemanha. O segundo volume tem como foco a história de Esther, da fuga da Alemanha nazista, à vida relativamente tranquila encontrada na Holanda e a amizade com Helena, nova fuga com a chegada dos exércitos alemães à Holanda e a sobrevivência aos campos de concentração.

É um tema repetitivo, mas nunca é demais relembrarmos os horrores da 2a. Guerra e a curiosidade fica por se concentrar em um caso (fictício, mas nada que não possa ter realmente acontecido…) ocorrido na Holanda, país que manteve-se neutro no início da guerra e não teve condições de sozinho se libertar dos invasores alemães. O texto tem umas tiradas engraçadinhas, deixando-o mais leve. A diferença de gerações é apresentada na forma das protagonistas ora adolescentes, ora mais velhas contando suas histórias aos seus netos.

Autor: Eric Heuvel
Editora: Companhia das Letras
Lançamento no Brasil: 2009-2013

 

Beto Magnun

Hellboy no inferno – Vol.1: Descenso

Continuação direta dos eventos mostrados nos álbuns “O Clamor das trevas”, “A caçada selvagem” e ”Tormento e Fúria”, “No Inferno” marca o retorno de Mike Mignola a prancheta para ilustrar sua maior criação. Logo se você não leu nenhuma dessas (especialmente a última) pare de ler aqui, pois lá vem hbni0011-ae796d8a7b97857da15abb9720a235fb-640-0spoiler. Hellboy está morto. E em sua descida ao inferno, ele encontrará criaturas que lembram crustáceos, lulas e Eligos, inimigos outrora derrotados, algumas respostas e novas perguntas sobre seu misterioso destino. Mignola continua preciso no roteiro carregado de referências (todas presentes no sempre competente glossário feito pela Mythos), e mais competente ainda nos desenhos cada vez mais simples e abstratos. Um exercício legal é comparar com outras obras desenhadas pelo autor, como Dr Estranho & Dr Destino: Triunfo e tormento ou mesmo Hellboy: Sementes da Destruição. E claro sempre acompanhado das cores sutis e precisas de Dave Stewart.
Bom já deixei claro que nesse ponto da história, o leitor precisa estar familiarizado com o universo de Hellboy. Mas existem vários outros encadernados independentes da cronologia para quem quiser conhecer o personagem (Por exemplo, o já citado “Sementes da Destruição” e o excelente “A casa os mortos-vivos”).

Autores: Mike Mignola (Roteiro e desenhos) e Dave Stewart (Cores)
Editora: Mythos
Lançamento no Brasil: Outubro de 2015

 

Hurulla nº1 e 2

HurullaCapaAs duas edições reúnem histórias curtas do homem conhecido apenas por Hurulla e todo seu misterioso passado, ambientado em um universo de fantasia, cheio de reinos esplendorosos, golpes de espada e muito feitiçaria.  Duas campanhas de sucesso no Catarse. Dois álbuns de qualidade. Clayton InLoco, apresenta um universo no melhor estilo “Conan, o bárbaro”. Cada capítulo conta com algo X para ele resolver, bem nos moldes de, “O monstro da semana…”, e os desenhos são um show a parte. Excelente pedida pra fãs de RPG e Conan.

Autor: Clayton InLoco
Editora: Devaneio
Lançamento no Brasil: Maio de 2014 (nº1) e novembro de 2015 (nº2)

 

Hora de Aventura apresenta: Marceline e as rainhas do grito
Autores: Meredith Gran, Jen Wang e Faith Erin Hicks
Editora: Panini Books
Lançamento no Brasil: Dezembro de 2014

 

Miss Marvel: Nada Normal

Já falei sobre a Miss Marvel aqui, mas resumindo essas duas útimas dicas: São duas HQs leves, descontraídas e bem desenhadas. Longe de serem pretensiosas e ruins como os 470 títulos do Batman e X-Men espalhados por aí.

Autores: G. Willow Wilson (Roteiro) , Adrian Alphona (Desenhos) e Ian Herring (Cores)
Editora: Panini
Lançamento no Brasil: Janeiro de 2016

 

Rafael Cordeiro

X-Men: A saga da Fênix Negra

Jean Grey – cujos poderes aumentaram após sua transformação em Fênix – torna-se objeto de cobiça do Clube do Inferno e de preocupação para os X-XMenSagaFenixmen, que não sabem até que ponto Jean é capaz de conciliar sua natureza humana com suas capacidades quase divinas. A batalha pelo poder da Fênix começa na terra e se encerra nos confins do universo. 

Decisões difíceis são tomadas no caminho, principalmente por Ciclope – dividido entre o amor por Jean e sua obrigação como líder de campo dos X-Men – levando a um final pouco provável para os padrões da época em que foi publicada (anos 80 no Brasil) e que marca a história do grupo até hoje.

Nenhuma das adaptações posteriores à história (desenho animado e cinema) conseguiu reproduzir o impacto desta história que, sem dúvida, é a melhor definição do que é ser um X-Men e a diferença que isso faz no contexto do universo Marvel. 

Definitivamente, um clássico do mundo dos super-heróis.

Autores: Chris Claremont e John Byrne
Editora: Panini
​Lançamento no Brasil: Dezembro de 2015 (novo encadernado)

 

Sergio Barretto

Em Terras Americanas – Livros I, II e III

ETAPeguei o kit com os três volumes desta HQ por causa da capa do primeiro volume, tanto a arte quanto a cor me chamaram a atenção. O que li foi uma história muito bacana com super-heróis bem localizados em relação aos costumes nacionais, com algumas sacadas realmente brilhantes em relação à cultura dos supers em contraste com a cultura brasileira (e baiana). Uma HQ despretensiosa que te faz imergir naquele universo recheado de nomes estranhos e roupas coloridas.

Autores: Tom S. Figueiredo (roteiro), Paulo Setúbal (arte) e Vitor Sousa (cor).

 

 

Miracleman Volumes 12 e 13

Miracleman, agora acompanhado de Miraclewoman, continua a saga em busca de suas origens. O texto do Escritor M12Original mistura múltiplas dimensões, matemática, distorções temporais e mais um monte de conceitos abstratos em uma história não muito linear mas bem interessante de acompanhar. Mesmo que as vezes você tenha que dar aquela parada pra ver se entendeu algumas passagens, e acabe não tendo tanta certeza assim de que entendeu tudo, vale a leitura.

Autores: O Escritor Original* (roteiro) e John Totleben (arte)
Editora: Panini
Lançamento no Brasil: Dezembro de 2015 e Janeiro de 2016

*O Escritor Original é o termo utilizado nos créditos para se referir a Alan Moore, que por desavenças com a Marvel exigiu que seu nome fosse retirado dos créditos.

 

Os Pequenos Homens Livres

Bem, essa dica é de um livro. Terry Pratchett chegou à clareira no final da estrada em março do ano passado, mas deixou uma rica bibliografia – especialmente sobre o universo de Discworld criado por ele. Neste livro você acompanha a saga de Tiffany Dolorida, uma menina criada no campo e que acha melhor ser bruxa do que princesa de contos de fada. O texto de Pratchett traz uma crítica sutil (sutil?) aos contos de fadas, aborda educação, advocacia e tem a melhor versão do Smurfs que você vai ver na sua vida.

Autor: Terry Pratchett

 

Guido Moraes

Superman #39 (Número de referência nos EUA)

SUPERMAN_40_CAPA-600x917Pois é. Não sou muito fã do Superman. A fase atual dos títulos da DC não é das melhores. Mas resolvi dar uma chance para o trabalho escrito por Geoff Johns e desenhado (pela primeira vez na editora) por John Romita Jr. Esta edição funciona como um epílogo para o bom primeiro arco da série.

Superman se descobre sem seus poderes por um dia, resultado de uma explosão energética que ele mesmo desenvolvera anteriormente. Desta forma, ele aproveita para dividir o dia com seu melhor amigo Jimmy Olsen, e obviamente acaba tendo que demonstrar todo seu heroísmo sem contar com seus poderes. Nada muito complexo, nada muito original. Mas é uma história muito bem executada, leve e descontraída. No final, fica o sorriso no rosto por ter lido, e o questionamento: por que DC não segue o exemplo e foca em fazer o básico?

Autores: Geoff Johns e John Romita Jr.
Editora: Panini
Lançamento no Brasil: Revista mix Superman #40, de Janeiro de 2016.

 

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.