tex_gigante-_23Apesar de ser fã de filmes de "bang-bang à italiana", como ficaram conhecidos os faroestes que passavam na TV até meados da década de 80, nunca me interessei pelos quadrinhos sobre o tema. Afora uma ou outra leitura bem esporádica (um dia falo sobre meu primeiro contato com Ken Parker).

Por outro lado, sempre tive fascínio pela Patagônia. Acho que ouvi essa palavra pela primeira vez por volta dos dez, talvez doze, anos e algo ressoou em mim. De lá pra cá aprendi muita coisa sobre o lugar e um dia pretendo fazer uma viagem pra lá.

Não será surpresa confessar que em minhas visitas às seções de quadrinhos das bancas e livrarias nunca reparei muito nos faroestes. Assim, não tomei conhecimento da existência da revista Tex Gigante até alguém comentar que o número 23 trazia uma história na Patagônia. Algo ressoou em mim.

Como não encontrava mais em bancas ou livrarias, consegui um exemplar emprestado e li (duas vezes). Assim que vi o Tex Gigante 24 (sobre Cuba) comprei sem pensar muito e agora espero com curiosidade o Tex Gigante 25.

Além do fascínio natural que a Patagônia exerce sobre mim, quando abri a Tex Gigante 23 (Patagônia) fui presenteado com o resultado do trabalho de pesquisa feito pelos autores para elaborar a HQ. Só por este material já valia ter comprado a revista.

São páginas bem ilustradas sobre La Conquistadel Desierto, a respeito do massacre dos nativos promovido pelo governo argentino (especialmente a partir de 1874) e sobre a Zanja de Alsina, uma trincheira de dez mil quilômetros cortando a Patagônia. Depois disso segue-se uma HQ como poucas.

O roteiro de Mauro Boselli é consistente e utiliza tanto fatos quanto a cultura da época de La Conquistadel Desierto como suporte – especialmente o preconceito dos colonizadores contra os nativos. A arte de Pasquale Frisenda não deixa por menos e nos transporta para as pradarias patagônias, tendo a caracterização dos personagens (especialmente os trajes) como um show a parte. Falar mais do que isso poderia estragar as surpresas da leitura.tex_gigante_24

Em Tex Gigante 24 (Os Rebeldes de Cuba) somos novamente presenteados com as páginas de pesquisa, também bem ilustradas, sobre as insurreições cubanas. Em especial o levante iniciado em 1868 e encerrado em 1879, que serve de cenário para esta aventura do ranger Tex Willer.

Nesta história, o roteiro de Boselli explora com habilidade a influência da Santeria (religião dominante entre os negros cubanos), as barbaridades perpetradas pelos voluntários (espanhóis enviados a Cuba para lutar contra os insurgentes) e a violência dos mambsies (revolucionários cubanos da época). O traço de Orestes Suarez (que é cubano) não é tão leve como o de Frisenda (artista do Tex Gigante 23), mas ilustra com apuro a Cuba daquela época e dá o tom pesado que a história pede.

Graças ao ranger da editora Bonelli, fiz uma viagem da Patagônia a Cuba e refiz todos meus conceitos a respeito das HQs de faroeste. Conversando com alguns amigos que conhecem o personagem há mais tempo, fiquei sabendo que nem todos os Tex Gigantes têm a "pegada" destes dois.

No final das contas, independentemente da "pegada" das outras edições de Tex Gigante, a partir de agora meus olhos sempre pousarão com atenção sobre as revistas de faroeste e minhas mãos sempre percorrerão suas páginas em busca de um ressoar. Graças a Tex Willer e sua aventura na Patagônia!patagonia3

— Sergio Barretto teve um passado nebuloso sobre o qual nunca fala. Ninguém sabe ao certo o que ele fazia, mas alguns indícios de ações secretas e aterradoras já desestimularam muita agente a continuar investigando. Hoje é um homem sério, cumpridor de seus deveres e apaixonado por histórias em quadrinhos desde que se entende por gente, e a cada ano faz mais tempo que ele se entende por gente. Faz parte do Quadro a Quadro desde sua criação e costuma ser gente boa, mas as vezes passa a impressão de que seu passado sombrio pode retornar a qualquer momento, pondo a todos em perigo.