aurora-capa-keliTer fé e acreditar no homem fazem parte do percurso, amigo leitor. Yin-Yang, Preto-no-branco, duas partes que abarcam um conceito. Dicotomia que povoa a nossa existência há milênios, bem como as dúvidas sobre como chegamos até aqui e o que virá pela frente. Disso, não podemos nerar. Nesse mote, Felipe Folgosi roteirizou e concebeu o Quadrinho de ficção científica “Aurora” (Leno Carvalho – traço, Instituto HQ). 

Segundo o próprio ator, na introdução da HQ, o roteiro foi feito para o cinema, já que, em uma temporada de estudos nos EUA, iniciou-se as ideias que geraram a história do português Rafael e sua família – a esposa Claudia e a filha Annabelle. Na trama, durante uma tempestade cósmica, o pescador tem sua vida transformada drasticamente, e, de quebra, fica nas mãos dele o futuro de todo o planeta. E, como em toda mudança global desse patamar, interesses bem intricados são despertados, leia-se aqui FBI, organismos internacionais, etc. 

Muito embora a história caia no fantástico e isso é transparecido nos desenhos de “Aurora” – que lembram bastante as HQs norte-americanas, atenta-se –, a essência da crença e da ciência não se perdem. Digo isso por conta de dois personagens importantes que habitam aurora-pag-kelia HQ: o padre Ian e o cientista Ryan Costello (seria uma analogia ao Yin-Yang citado anteriormente, hein?!). A trajetória de ambos reforça esse afã que a humanidade tem em contar tanto com a própria mão do homem quanto o próprio esforço da fé para que a vida melhore e, principalmente, prossiga.
 

Doenças terminais, passagens bíblicas, tecnologia a serviço da saúde, cura, autoajuda, passagem, existência da morte, existência da redenção. Toda esta cascata de frases e de exemplos estão permeados em “Aurora” e Ian e Ryan sabem muito bem disso, afinal, são irmãos, uma dualidade conflitante e ao mesmo tempo envolvente.
A HQ, aliás, pode-se dizer que é um rio de ideias que desagua em um mar revolto de muitas histórias embutidas em outras, cujo desfecho pode custar o fim ou início de uma nova era. De uma coisa, é sabido e isso os poetas já entoavam, navegar é preciso. Cabe agora é saber para qual mar a ciência e a crença podem nos levar. 

P.S: um adendo, essa é a primeira HQ de Folgosi, em 2015, por meio de financiamento coletivo. A segunda, também na plataforma, “Comunhão”, está prevista para lançamento em breve.

— Jornalista freelancer, moradora de S. Miguel Paulista - SP e também colabora para o portal Jornalirismo (www.jornalirismo.com.br). Nas horas vagas, lê Quadrinhos. Nas outras também. Mais em http://twitter.com/keliv1