IMG_20140706_140444935Por Gaby Cavalcante*

*Gaby Cavalcante é convidada do Quadro a Quadro. O conteúdo desse post expressa a opinião do autora, que é plenamente responsável pela mesma.

 

 

Aviso: não entre na floresta.

Eu não acredito muito no chamado “acaso”, acho que as coisas simplesmente acontecem quando devem acontecer. Contudo, neste caso específico, faço uma exceção. Nãoc2 tenho muitos lugares preferidos nessa cidade, mas foi em um deles que encontrei pela primeira vez o quadrinho sobre o qual agora escrevo.

Nunca havia ouvido falar dele ou lido algo a respeito, simplesmente abri a caixa que havia chegado à loja e, ao ir verificando o conteúdo, me deparei com a capa de Courtney Crumrin e as criaturas da noite. O interesse foi instantâneo, uma menina, juntamente com dois seres um tanto tenebrosos e uma expressão de mau humor, me lembrou vagamente o universo de Tim Burton, comprei e não me arrependi. Foi amor à primeira leitura!

Nesse ponto devo fazer uma pequena interrupção e dar duas notícias não muito boas para aqueles que, como eu à época, não conheciam essa obra do autor Ted Naifeh. A primeira é que ao todo são treze volumes, o que é maravilhoso porque com certeza eu não quero que acabe, mas não é muito bom pelo motivo que vem a seguir. A editora que lançou a obra foi a Devir, tendo publicado somente os dois primeiros volumes até agora. 

Mas esse é apenas um pequeno percalço que, tenho certeza, será facilmente superado, tão fácil quanto controlar certo duende que vive na floresta.

Curiosos, como sei que vocês estão, acho que cabe agora que eu dê um pequeno vislumbre desse universo, sem spoilers, claro, pois isso é algo muito feio e que sempre é severamente castigado por pessoas rancorosas como eu.

Courtney Crumrin é uma menina muito inteligente e perspicaz, no entanto, não costuma fazer amigos com facilidade sendo até mesmo considerada anti-social. Seus pais são alienados e só se preocupam com status, aparência e bens materiais, justamente por isso acabam se encontrando em uma situação difícil, cuja solução é ir morar na casa do Tio Aloysius Crumrin, que é onde a história começa.

Tio Aloysius é um homem misterioso e que vive isolado da sociedade; sua mansão em Hillsborough é imponente e intimidante, mas é quando anoitece que Courtney percebe que eles não são os únicos moradores daquele lugar. A menina começa a descobrir que tanto sua nova moradia quando seus arredores são habitados pelas chamadas criaturas da noite.

c1Mais surpreendente ainda é descobrir na biblioteca de seu tio vários livros que tratam sobre o assunto e ainda ensinam como lidar com essas criaturas. Embora Courtney comece aprendendo pelo caminho mais difícil, ela logo percebe que esses seres podem ser valiosos aliados contra as várias ameaças, tanto aos humanos quanto ás próprias criaturas da noite.

Claro que esses seres misteriosos não são o único problema da protagonista, no primeiro dia de aula ela aprende que ser sobrinha de Aloysius não é um bom cartão de visita, mas ela, assim como seu tio, tem habilidades um tanto especiais que serão desenvolvidas ao longo da história e que servem para afastar human… Criaturas indesejadas.

Todos os personagens são peculiares e cada um mostra uma faceta muito interessante e instigante do universo criado por Ted Naifeh. Contudo, é preciso chamar atenção para o duende Ferrugem, que, além de ser o narrador da história, conhece os segredos da floresta e muito sobre as criaturas da noite. E o gato preto Buu que leva Courtney por caminhos desconhecidos para os humanos.

Você nada tem a perder ao entrar nesse universo, mas talvez seja aconselhável uma rápida leitura no capitulo Um tratado sobre duendes, será muito útil se você, como eu, resolver desconsiderar o aviso no começo desse texto.

Título: Courtney Crumrin e as Criaturas da noite.

Autor: Ted Naifeh

Editora: Devir

Ano: 2007

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Gaby Cavalcante. Baiana, formada em direito e, atualmente, aspirante a publicitária. Nintendista desde que se entende por gente. Sempre tem espaço para mais um livro ou um quadrinho no armário, ou para vários como é na maioria dos casos.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.