Entre os dias 06 de julho e 14 de agosto, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) expõe os originais de algumas histórias em quadrinhos italianas famozérrimas.

A exposição Comics. Que Paixão! é um dos eventos de comemoração do Ano da Itália na América Latina, promovido pelo Instituto Italiano de Cultura de São Paulo. Renato Poma, diretor do Instituto, comenta que o Centro Cultural foi escolhido como sede, pois acolhe um público bastante diverso e integra muitos jovens.

Além disso, é no CCSP onde podemos encontrar a Gibiteca Henfil, a maior instituição do gênero histórias em quadrinhos no país.

Na Itália, os fumetti – como são denominadas as histórias em quadrinhos – começaram a ser publicados em 1908, no jornal Corriere dei Piccolo. Nessa época, os quadrinistas – ainda debutantes – criavam suas próprias histórias calcados no modelo norte-americano de Buster Brown, The Upside Down, entre outros. Os comics norte-americanos foram responsáveis pela difusão do gênero como cultura de massa. Isso é um fato. Porém, parte do sucesso dos quadrinhos desse país se deve também aos italianos.

Maurizio Scudiero, arquiteto, historiador de arte e curador da exposição, conta que a Itália, como muitos outros países, importava as histórias da Disney.

Maurizio Scudiero, curador da mostra.

Na década de 1930, as revistas tiveram tanto êxito que as produções norte-americanas, publicações de regularidade mensal, não acompanhavam o consumo semanal dos leitores italianos. Assim, alguns personagens passaram a ter suas tiras produzidas na própria Itália.

 

 

Na exposição há originais de Mickey Mouse (Topolino), de 1955, desenhado por Gian Battista Carpi e de Pato Donald (Paperino, na Itália) de 1956, criados por Gian Battista Carpi e Giorgio Chierchini.

Os comics importados foram traduzidos, adaptados ao contexto italiano, alguns balões e cenas foram mutilados(!)…  Mas o que é a tradução senão recriação. A partir dessas primeiras experiências, os quadrinistas italianos desenvolveram estilos particulares e maduros, sendo pioneiros em criar a cultura das histórias em quadrinhos. Diante da riqueza dos fumetti italianos, intelectuais renomados do mundo universitário (como Umberto Eco e Robert Gimmarco), escritores (como Elio Vittorini e Orestes del Buono) e editores (como Mondadori, Garzanti, Bompiani) propuseram uma concepção dos quadrinhos como um produto apreciado culturalmente, ao invés de uma simples mercadoria de consumo.

A exposição contempla obras desde a década de 1950.

Os autores selecionados são uma retrospectiva obrigatória aos quadrinhos italianos, ressalta Scudiero. Dois quadrinistas cujas obras estão aqui expostas, GiPi (Gian Pacinotti) e Zerocalcare (Michele Rech), foram indicados ao Prêmio Strega, o mais importante da literatura italiana. Essa situação seria impossível há 10 anos.

Comics italianos, no CCSP.

Outras obras podem ser apreciadas, tais como Hugo Pratt (Corto Maltese, 1971), Guido Crepax (Valentina, 1968), Magnus (Kriminal, 1966), Mario Caria (Flash Gordon, 1964), Francesco Gamba e Franco Bignotti (Piccolo Ranger, 1959), Anna Brandoli (Il mago di Oz, 1980), Milo Manara (La voce da luna, 1990), Romano Felmang (L’uomo mascherato – Fantasma, 1998), Giampiero Casertano (Dylan Dog, 1988), Giovanna Casotto (A natale sono tutti piu’ buoni, 1997), SeSar (Mata Hari – Greta Garbo, 1989), X-men (Simone Bianchi, 2008), Claudio Castellini (Marvel vs. DC, 1996), Marco Alberti (Spiderman & Fantastic four, 2010), Zerocalcare (Dodici, 2013), Sergio Zaniboni (Diabolik, 2000), Fabio Civitelli (TEX, 2012), entre outras.

Frente a frente com as obras, pude ver a riqueza de detalhes dos traços em nanquin, lápis, aquarela, o papel amarelado em algumas delas… Voltei no tempo, imaginei o cuidado que os artistas tiveram ao colorir onomatopeias manualmente, colar balões de fala, finalizando uma página com sua assinatura… Quadrinhos são obras de arte!

Picollo Ranger, de Franco Donatelli, 1964

Fantasma, de Romano Felmang, 1998

— Bárbara Zocal frequentou a Mansão X até seus dezessete anos. Sua voz é seu grande poder. Com ela, inebria seus inimigos e os desacorda com habilidades de bāguàzhǎng.