Confirmando os boatos surgidos principalmente após o "vazamento" de artes conceituais, a DC anunciou esta semana a sequência de Watchmen, a aclamadíssima HQ de Alan Moore (roteiro), Dave Gibbons (desenhos) e John Higgins (cores). Na verdade não é propriamente uma sequência, mas um prelúdio, com histórias dos personagens passadas antes da série clássica.

Os títulos anunciados contam com equipes criativas formadas por pesos-pesados dos quadrinhos norte-americanos:

– Nite Owl, por J. Michael Straczynsk (Homem Aranha, Superman) , Andy Kubert (X-Men, Batman) e Joe Kubert (Sargento Rock, Tarzan)

– Ozymandias, por Len Wein (Monstro do Pântano, X-Men) e Jae Lee (Inumanos, A Torre Negra)

– Roschach, por Brian Azarello (100 Balas, Coringa) Lee Bermejo (Coringa, Hellblazer)

– Silk Spectre, por Darwyn Cooke (Spirit, Parker) e Amanda Conner (Vampirella, Poderosa)

– Comedian, por Brian Azarello e J.G. Jones (Fist Wave, Crise Final)

Crimson Corsair, por Len Wein e John Higgins (Hellblazer, Juiz Dredd, Watchmen)

Dr. Manhattan, por J. Michael Straczynsk e Adam Hughes (Liga da Justiça, Mulher Maravilha)

– Minutemen, por Darwyn Cooke

Os títulos serão mini-séries em 04 ou 06 edições, exceto Crimson Corsair que será publicada em duas páginas em cada uma das edições das outras série.

Notada a ausência de Grant Morrison, que já declarou ter um projeto com os personagens de Watchmen, aparentemente paralelo à série anunciada. 

A polêmica toda gira em torno de Alan Moore, que considera sua obra intocável, tendo se posicionado veementemente contra qualquer obra derivada, incluindo a versão cinematográfica, que a pedido do próprio autor sequer teve o nome de Moore nos créditos.

Tanto o roteirista quanto sua filha, Leah Moore, se manifestaram publicamente contra as séries anunciadas. Seus argumentos não são infundados, os Moore apontam que não existe uma sequência ou prelúdio de Moby Dick, por exemplo e questionam por quê não pagam esses artistas para criarem novas obras tão relevantes quanto Watchmen.

Segundo nosso colega de QaQ, Sérgio Barretto, a obra de Moore deixa buracos que devem ser preenchidos exclusivamente pelo leitor.

Do outro lado, não é difícil imaginar a lógica dos executivos da DC/Warner: é melhor agradar o rabugento mago inglês ou executar um projeto que com certeza será um grande sucesso de vendas?

 

 E não é a primeira vez que algo acontesse na indústria de quadrinhos dos EUA: Frank Miller tinha um acordo verbal com a Marvel para que Elektra, personagem criada durante sua passagem pela HQ do Demolidor, só voltasse a ser publicada sob sua batuta. Nem preciso dizer o que aconteceu, afinal a personagem está até hoje por aí em obras de qualildade mais do que duvidosa.

Embora se mostre sempre contrário, Alan Moore tem telhado de vidro nesse assunto.  Ele próprio realiza sucessivamente obras com versões de personagens criados por outros autores, sejam de quadrinhos ou da literatura convencional. Basta lembrar da Liga Extraordinária (League of Extraordinary Gentlemen) e de Lost Girls em que o autor cria suas próprias versões de personagens de Bram Stocker, H. G. WellsR. L. Stevenson, Júlio Verne, Lewis Carroll, entre outros.

Curioso é que o personagem que propulsionou a carreira de Moore, o Monstro do Pântano (Swamp Thing) é uma criação de Len Wein, agora envolvido em dois títulos de Before Watchmen.

Os próprios personagens de Watchmen são derivados dos personagens da antiga Charlton Comics, então recém incorporados ao universo DC. Roschach é uma versão do Questão (The Question), Dr. Manhattan é o Capitão Átomo (Capitain Atom), Nite Owl (Coruja) é o Besouro Azul (Blue Beetle), o Comediante (Comedian) representa o Pacificador (The Peacemaker) e assim por diante. Se tal fato pode pesar contra Moore, por outro lado também deixa a pergunta se a editora, em respeito ao autor, não poderia ter encomendado re-reformulações dos personagens originais.

De qualquer modo, o fato é que ninguém duvida que o projeto será um grande sucesso de vendas. Mesmo quem se coloca contrário às obras derivadas admite que não vai deixar de conferi-las. E nem poderia se pensar em outra situação com personagens tão fortes e equipes criativas tão qualificadas.

Confira abaixo as artes divulgas, as quais, acredita-se sejam capas das séries de Before Watchmen.

 

 

 

 

 

 

— Não gosta de falar sobre si mesmo, mas a sua orelha queima quando estão falando dele.