Eu havia dito na matéria sobre o Superman do Richard Donner, que só iria assistir ‘Dawn of Justice’ depois que o hype passasse e as salas estivessem mais vazias. Bom… O filme teve uma queda brusca de publico ainda no fim de semana da estreia, o que me fez ir comprovar com esses olhos e ouvidos que a terra há de comer se o filme é o monte de estrume que uns pregam, ou a oitava maravilha do mundo que outros pregam. Agora senta que lá vem spoiler.
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O filme começa recontando a origem do Batman em uns 4 minutos. Pouco tempo, mas ainda assim uma cena desnecessária do meu ponto de vista afinal todo mundo já conhece a história. Há um salto no tempo para a batalha entre Superman e os outros Kryptonianos, mas desta vez do ponto de vista de Bruce Wayne, lá embaixo vendo o pau quebrar. Um acerto já que os civis pelo que me lembro foram ignorados em "Homem de Aço".
Dois anos depois o repórter Clark Kent encara as consequências politicas e sociais de seus atos como Superman, Batman inicia uma investigação que o leva ao jovem bilionário Lex Luthor, e uma conspiração que o levará a confrontar o homem da capa vermelha. A primeira parte é focada na identidade civil dos protagonistas e no impacto que os super seres estão causando no mundo. No meio do oceano de referências o filme utiliza muito bem um recurso da minissérie Batman – O Cavaleiro das Trevas, de 1986, mostrando programas de TV com famosos analistas políticos, cientistas e jornalistas em programas de TV debatendo as ações do Superman. 

Diana Prince e Bruce Wayne

Diana Prince e Bruce Wayne


Quem era contra Ben Afleck, assumir o papel de Bruce Wayne quebrou a cara. Afleck entrega um personagem complexo e amargurado, ao contrário de Henry Cavill, que tem o carisma de uma porta e não se esforça nem pouco para diferenciar o Clark Kent do Superman. Gal Gadot, como Mulher Maravilha sempre chama atenção quando aparece tendo até um sotaque grego (ela me surpreendeu bastante), ela não teve tanto destaque quanto os outros o que pelo menos deixa um ar de mistério até o filme dela estrear. Lois Lane é apenas a mocinha em perigo (incrível a superaudição seletiva do Superman). Alfred é o personagem mais modificado, além de ajudar a desenvolver equipamentos do Homem Morcego, ele utiliza muito sarcasmo para tentar ser a voz da razão do conturbado Bruce Wayne, o que rende bons momentos de humor.

Por falar em mente conturbada… Depois de uma hora quase sem os heróis livrando o povo do mal, temos um cena de perseguição com o Batman que termina com seu primeiro confronto com o Superman. Aqui temos um Batman carniceiro, usando um tanque com metralhadoras para tirar a vida de boa parte dos capangas do Lex Luthor. Não sou fã do Batman, mas me incomodou bastante ver um personagem que avesso a armas de fogo e principalmente ao ato de tirar a vida de outro ser humano, agindo totalmente contra esses ideais. Alguns defensores afirmam que ele mata pessoas na minissérie "Cavaleiro das trevas", mas ali ele não mata nem mesmo o Coringa. Ele aleija, mas não mata. É escroto… Mas ainda mantém a nobreza do personagem. O Superman/Clark Kent questiona com razão as ações do Batman, mas é difícil levar a sério quando o próprio homem de aço faz um bandido humano atravessar duas paredes, e depois ainda afirma que, nesta ação, ninguém morreu.
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O Lex Luthor interpretado por Jesse Eisenberg vem sendo criticado por ser uma figura alegre demais. Alguns sites desde o lançamento dos trailers reclamam que o vilão foi digamos que atigindo por um raio que o deixou hipster. Mas pra mim temos mais um Luthor Hackman. O Luthor interpretado por Gene Hackman nas décadas de 1970 e 1980 era um vilão muito caricato e funcionava como alívio cômico nos filmes de Richard Donner. Entre 1993 e 2001, tivemos três encarnações do Luthor fora dos cinemas, nas séries "Lois e Clark", "Smallville" e na série animada "Superman – The Animated Series". Nelas tínhamos o gênio do crime frio e calculista com quem os fãs estavam acostumados. Mas em 2006 e agora em 2016 tivemos apenas novas versões do Luthor de "Superman – o filme" (1978). Eisenberg chega a usar algumas peças de roupas que lembram o vilão clássico. Ainda assim ele atua bem e o personagem funciona muito como o motor da trama manipulando sutilmente os protagonistas.

Kevin Spacey apenas imitou Gene Hackman. Enquanto Michael Rosenbaum, nos fazia lembrar do Luthor dos quadrinhos e da série animada.

Kevin Spacey apenas imitou Gene Hackman. Enquanto Michael Rosenbaum, nos fazia lembrar do Luthor dos quadrinhos e da série animada.

Se o roteiro de David Goyer (da trilogia “Batman – O Cavaleiro das Trevas”) e Chris Terrio (Argo) passa longe de retratar a essência dos personagens, Snyder pelo menos consegue obter esse êxito visualmente. O Superman tem o mesmo ar divino de "Reino do amanhã", e o Batman tão sombrio que assusta até o espectador. Os fãs mais antigos saltaram durante a luta entre os dois totalmente extraída de "Cavaleiro das Trevas", não só cenas como falas. Essa sequência é realmente tão maneira que me fez ignorar o desfecho pífio, pra logo depois ter mais uma dose do Batman assassino de sangue frio, e Lois Lane provando ser a ser mais burro de todo o longa. Mas ainda restavam quase 40 minutos de filme, e precisam justificar o orçamento de US$ 250 milhões. Como é de praxe em todo Blockbuster, os roteiristas entregam um monstro totalmente feito de CG e com design aproveitado de "O senhor dos anéis". Ver a Trindade trabalhando em conjunto é simplesmente sensacional, e sinto informar, mas se você não achou isso é porque está morto por dentro. Já cena forçada da morte do Superman dificilmente emociona quem ainda não simpatizou com o Super do Cavill. Aliás tem muita gente dizendo que chorou nessa cena. Sejam menas por favor.

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A direção de Snyder é competente, nada espetacular, mas como já disse ela disfarça bem os erros do roteiro. Os vícios dele estão lá e me incomodam bastante (Slow motion desnecessário e trilha sonora berrante em momentos inoportunos). Os problemas do roteiro podem ter sido causados pela interferência do estúdio. Lembram que era para ser uma sequência de "Homem de aço", mas de repente teria uma ponta do Batman, depois virou um filme do Batman e Superman, mas disseram que ia ter uma ponta da Mulher Maravilha, depois uma maior participação da mesma, aí anunciaram o resto da liga da Justiça. É isso ou faltou à mão de um dos irmãos Nolan pra puxar os freios do Goyer. É um filme medíocre, mas longe de ser mais um Lanterna Verde, Demolidor ou Homem de Ferro 3. Pra mim cumpriu seu papel, pois estou ansioso pelo filme da Mulher Maravilha, mas também me deixou com pé atrás em como vão tratar os personagens do Quarto Mundo. Os parademonios ficaram legais, mas se aquele bicho que apareceu na cena deletada que foi divlgada essa semana,for mesmo um dos Novos Deuses… Tsc tsc… Vão cagar pros designs do Jack Kirby, pra criar monstros de CG?! Vamos torcer pra que não seja isso.

Apocalipse (a esquerda) e um troll das cavernas (a direita)

Apocalipse (a esquerda) e um troll das cavernas (a direita)

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*Agora podem me destruir nos comentários.
**Não achei nescessário ficar citando referências inuteis. Já tem páginas demais no Facebook fazendo isso e muitas usando aquele meme idiota do "Eu entendi a referência".
***O titulo aportuguesado soa melhor que "Dawn Controversy"

— Beto Magnun quando criança queria se tornar membro dos Novos Titãs e dos X-men, mas com o passar dos anos, acabou se tornando uma das pessoas invisíveis das histórias do Will Eisner.