► Por Hunter (Pedro Bouça)*

 

 

 

No link:

http://www.charentelibre.fr/2012/01/02/bande-dessinee-la-bulle-eclate,1072679.php

Em essência, trata-se de um grupo de autores explicando os problemas do mercado francês atual. Com tantos lançamentos (mais de cinco mil este ano!), o espaço nas livrarias ficou pequeno para tantas HQstem condenado muitas obras (e respectivos autores) a vendas baixas demais para sobreviverem. Somado a isso, as editoras reduziram seus adiantamentos (soma paga antes da publicação da obra ao autor, que será depois descontada do seu pagamento de direitos autorais, isso é prática comum na indústria de livros e nas HQs franco-belgas, onde as séries costumam pertencer a seus autores e não às editoras) e as tiragens dos livros a valores mínimos. O que acaba sendo prejudicial até quando um álbum faz SUCESSO, porque sem uma tiragem substancial o livro se esgota e perde seu "momento" de vendas no tempo que leva para ser reimpresso.

Isso é consequência, claro, do enorme crescimento da indústria de quadrinhos franco-belga nos últimos 20 anos. Há vinte anos eram publicados 500 álbuns por ano (quase todos álbuns tradicionais), praticamente nenhum mangá e os comics americanos e fumetti estavam restritos às bancas. Hoje são 5000 lançamentos por ano nas livrarias francesas, com cerca de 40% mangás, 30% álbuns tradicionais, 10% comics, 2% fumetti e o restante dividido entre álbuns não tradicionais (como o material que eventualmente sai no Brasil) e HQs do mundo todo. A competição ficou muito mais ferrenha!

Agora, é fácil dizer que deveria se publicar menos. Mas o que vai ser posto de lado? Não serão os grandes hits, que são o sustentáculo das editoras. Se deixarem de publicar os novatos, condenam o quadrinho franco-belga à extinção por falta de renovação. O material estrangeiro (que é o anticristo de quem defende o sistema de cotas de quadrinhos no Brasil) é bem mais barato (por não ter custo de produção) e ajuda a fazer o caixa das editoras para publicar o nacional, sem contar que mostra outras perspectivas que ajudam a "abrir" as mentes dos autores locais e renovar a própria HQ franco-belga. Sobra o que para deixar de publicar? Os autores franco-belgas antigos de pouco sucesso, que são exatamente os que reclamam da superprodução. Ops!

Não me parece que as editoras francesas vão reduzir a produção em um futuro próximo, a não ser que role uma crise DE VERDADE e as vendas desmoronem. O que já está acontecendo é que o volume de lançamentos se estabilizou e muitos produtos deficitários (como os manhwas coreanos, que não interessam a ninguém) deixaram de ser publicados. Os autores de pouco sucesso é que vão ter de decidir se vale a pena continuarem a produzir quadrinhos e ganhar pouco ou tentar outras profissões. O que é uma verdade para todos os profissionais de quadrinhos, dentro ou fora da França!

___________
* Hunter (Pedro Bouça) é o criador da lista Euroquadrinhos:
http://br.groups.yahoo.com/group/EuroQuadrinhos/

 

— Lucas Pimenta queria ser Martin Mystère. Não queria uma pistola de raios e sim a capacidade de enrolar uma noiva da mesma maneira...