Há seis anos atrás, em um verão esquecido por Deus, conheci menino Pimenta, através de um amigo em comum, o ex-quadrado Adalton Silva. Eu praticamente vi, naquelas noites perdidas de verão, o nascimento deste site. E foi emocionante acompanhar a luta diária dos meninos para fazer funcionar. Vi-o crescer, como uma criança. Ganhou independência, trouxe novos amigos, formou uma rede de pessoas que se interessavam sobre a Nona Arte e que eram órfãos.

Em 2013 tive a honra de ser uma correspondente internacional para QAQ. Eu estava em Paris, na época da exposição lendária sobre Corto Maltese. Fui. Passei 4 horas na Pinacoteca de Paris e sai de lá mais pobre de Euros, mas mais rica de conhecimentos. Não fiquei só em Pratt. Fui à várias lojas de quadrinhos e vi o quanto nosso país era (é) atrasado com relação ao mercado editoral da Banda Desenhada. Mas, consolava-me o fato de que meus amigos lutavam bravamente contra isso.

É duro dizer adeus. No entanto, é apenas aqui. Em outras plataformas, continuaremos existindo. Continuaremos a ir onde a Nona Arte nos levar. Idéias não morrem, segundo Platão, elas voltam para o espaço, à espera de alguém que as queira.

Quadrados queridos, foi uma honra conviver com vocês e aprender com vocês.
E como eu comecei a escrever para o QaQ falando sobre Pratt, termino citando um de seus textos.

«Deter-se assim no passado… é como guardar um cemitério.» (Hugo Pratt, Corto Maltese – A balada do mar salgado, vol 3, pág. 22).

Então que venha o futuro!

Merci et à bientôt!!!

— Dani Lhoret é uma aficcionada por quadrinhos, que um dia resolveu fazer Grego na Faculdade de Letras apenas para ser diferente e não suficiente foi insana para se tornar Mestre em Teoria Literária escrevendo sobre Vampiros, quando ninguém falava deles. Hoje vive com um gato doido, um cachorro insano, sua filha linda e seu marido em uma casa repleta de livros que os amigos apelidaram carinhosamente de "Mansão Foster para amigos imaginários". Nas horas vagas orienta alunos mais loucos ainda sobre literatura e quadrinhos.