Esta semana o mundo dos quadrinhos teve um tão sonhado retorno. 

A obra-prima de Kurt Busiek e Brent Anderson, Astro City, retornou. E desta vez, pelo selo adulto Vertigo, da DC Comics.

Mas o que vem a ser Astro City?

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Astro City é uma série ambientada em uma cidade fictícia americana que leva o mesmo nome do título da série e é o lar de diversos super-heróis e vilões. Até aí nada de interessante, certo? Quantas séries de supers existem neste formato? Muitas, certamente.

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Entretanto, o diferencial está no tratamento dado por Kurt Busiek. Desde o seu lançamento em 1995 pela Image Comics, passando ela Homage Comics (uma subsidiaria da Wildstorm), Busiek teve liberdade para dar a sua visão ao que seria uma cidade repleta de Super-Heróis, a relação destes super-seres com os habitantes comuns e suas aventuras na luta contra o crime. Os personagens na série envelhecem na medida em que a série é publicada. O leitor pode acompanhar de forma magistral essa característica que sempre foi criticada nos quadrinhos de super-heróis.

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Pontos-de-vistas diferentes permeiam a série em inúmeros momentos. Das reflexões do Samaritano (uma releitura muito bem elaborada do Superman) sobre a sensação de vôo até o drama da retomada da vida de uma cidadã comum que fora sequestrada por um super-vilão, o magnifico de Astro City é justamente isso: trabalhar os mais diferentes pontos de vista dos seus mais diversos personagens. 

Astro City não é só apenas mais uma série sobre super-heróis; é uma série sobre como a cultura contemporânea transformou os Supers em entidades míticas e porque.

Acredito que Astro City surgiu pela necessidade que Busiek teve de mostrar para o mundo sua visão do que seriam as "Maravilhas" que ele tratou em Marvels, um ano antes, junto com Alex Ross. Como a mini-série limitava-se a um determinado periodo de tempo, ele acabou transportanto essas idéias para um lugar em que pudesse trabalhar sem ser podado por uma poderosa dos quadrinhos. 

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Voltando à notícia do seu retorno, Astro City chegou às comic-shops americanas no último dia 5, depois de um hiato de 3 anos. E esse retorno não é um reboot como muitos pensavam e sim uma continuidade, pois Busiek, Anderson e Alex Ross (que trabalha com os autores desde o início da série na produção das capas) não deixaram de trabalhar nas tramas um momento sequer. Em entrevista a um site americano, Busiek diz que produziu matérial para até dois anos de publicação sem ter que precisar de interferências da editora.

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Nesta edição de retorno, muitos personagens conhecidos estão de volta e novos surgem, como a misteriosa figura do Embaixador, uma entidade alienigena inspirada em alguns trabalhos de Jack Kirby, que chega em Astro City envolta de mistérios. Cidadãos comuns que vimos criança antes agora já estão na faculdade. E mais detalhes sobre o futuro de diversos personagens podem ser encontrados nas capas magistrais de Alex Ross.

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Para Busiek, é um prazer enorme dividir o catálogo com Fábulas, O Inescrito e Vampiro Americano e também ser oferecido nas livrarias ao lado de Sandman, Preacher e Monstro do Pântano

Astro City sempre teve uma abordagem diferenciada, mais adulta, a elementos que representam o conceito de super-heróis e ser publicado pelo selo que ajudou a amadurecer a visão dos quadrinhos, é simplesmente ter encontrado o seu lugar no mundo.

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Aqui no Brasil, Astro City sofreu muito com as publicações irregulares, da extinta Pandora, passando pela Devir e a Pixel. Como a Panini detem a preferência de pulicação da linha Vertigo, vamos torcer para que eles não ferrem com suas "interrupções".

— Adalton nasceu no último dia de uma lua cheia, mas acha que isso não tem nenhuma relação com a sua vida; começou comprando quadrinhos por puro modismo - uma edição da Turma da Mônica parodiando Jurassic Park; sua primeira compra consciente foi a edição nº 01 de Batman: A queda do Morcego, ainda formatinho. Acredita que irá terminar a graduação em Letras antes da catástrofe de 2012 e daqui até lá está estudando parte das traduções intersemióticas das peças de Shakespeare já produzidas. E nos interlúdios, tenta produzir roteiros a partir idéias rabiscadas em antigos pedaços de papel.