Foto_BernardoPor Bernardo Machado*

* Bernardo Machado é convidado do Quadro a Quadro. O conteúdo desse post expressa a opinião do autor, que é plenamente responsável pela mesma.

 

 

Não lembro se comecei a ler Rat Queens por acaso ou se foi indicação, mas, logo antes de iniciar a leitura estava justamente procurando RQ #2por quadrinhos de fantasia, medievais, naquela pegada capa-e-espada. Só achei Elfquest, e, embora atraído, achei muito extenso e não soube por onde começar. Então veio RQ e o resto é história.

Ainda que na edição de número dez, já a considero uma das melhores séries, ponto – é demais! Publicada pela Image Comics desde 2013, através do selo Shadowline, e com uma indicação ao Prêmio Eisner na categoria Melhor Série Nova, RQ tem planos de uma série animada e excelente linha de produtos oficiais, à venda no site, com vários artigos voltados especialmente para o público feminino, como vestidos e leggings.

A premissa: uma guilda de mercenárias, as Rat Queens, sobrevivem realizando missões – as famosas quests –, normalmente emitidas pelo prefeito da cidade de Palisade, onde fica seu "quegê". Uma dessas missões acaba se revelando uma tentativa de assassinato e, ao sobreviverem e perceberem que as quests das outras guildas também era armadilhas, iniciam uma investigação.

RQ #4

Kurtis J. Wiebe lida muito bem com personagens femininas, verossímeis e sem estereótipos – as coadjuvantes não ficam atrás –, dando um toque especial a cada uma das protagonistas: a maga élfica Hannah tem um estilo rockabilly; a ladina halfling – que nos meus tempos de AD&D se chamava kender – Betty, que adora doces e drogas, especialmente as lisérgicas; a clériga humana Dee, que abandonou seu culto à uma entidade de toques Lovecraftianos; e a guerreira anã Violet, que já raspava a barba antes de virar moda.

A relação entre elas é ótima, um dos pontos altos da série; aos poucos, suas histórias particulares vão sendo reveladas, deixando o leitor ainda mais apegado. Os diálogos afiados são críveis e com palavrões na dose certa, e o humor também se faz presente, especialmente quando Betty ou o atrapalhado sentinela Gary estão em destaque.

As cenas de luta, junto às expressões faciais e à atenção especial dada aos tons de pele só completam a experiência que é ler RQ. Infelizmente, por problemas com os dois desenhistas anteriores, a série sofreu alguns atrasos, mas agora, com a nova desenhista Tess Fowler – encarregada da edição especial sobre a orc Braga –, parece que tudo está de volta aos eixos.

Rat Queens é uma história de quatro mulheres fortes, ambientada num mundo medieval digno dos melhores RPGs e ficções fantásticas, com muito sangue, lutas, mistérios, romance, drogas e bebedeiras, tudo sempre com muito bom humor; eu li, pirei, e espero ansiosamente pela próxima edição, e você deveria seriamente considerar fazer o mesmo!

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Bernardo Machado faz Letras e pesquisa o cartunista Robert Crumb, no NEG(A), o Núcleo de Estudos do Gênero (Auto)biográfico; tem uma tatuagem de balão de fala e é constantemente perguntado se nunca vai escrever nada dentro.

 

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.