Chegamos ao fim desta série de posts. Foi difícil organizar tudo, assim como editar, mas mais difícil ainda é debater o assunto. Esperamos que tenham gostado. Estamos preparando novos post no mesmo formato, e tentaremos fazê-los com maior regularidade. Se alguém tiver alguma sugestão de tema, manda que a gente debate!

Os primeiros posts da série podem ser lidos aqui: Parte 1, Parte 2, Parte 3.

Cena do filme "Kick-Ass"

4) Qual sua sugestão para tentar melhorar os formatos de publicação brasileiras?

Guido: Para mim, tanto as editoras brasileiras quanto as norte-americanas deveriam reduzir por um tempo seu número de publicações. A grande quantidade traz muitas histórias de má qualidade e uma bagunça cronológica no universo de histórias que acaba desanimando os leitores. Por exemplo, apenas para o Batman temos: 'Batman', 'Detective Comics', 'Gates of Gotham', 'Batwing', 'Batwoman', 'Streets of Gotham', 'The all new Batman: Brave and the Bold', 'Batman and Robin', 'Nightwing', 'Catwoman', 'Batman Beyond', entre outros. Se presassem pela qualidade e não pela quantidade, reduzindo seus títulos pela metade, os títulos principais poderiam vender mais e formar dois mixes de qualidade no Brasil, ao invés dos inconstantes 'Batman' e 'A sombra do Batman'.

Edimario: No campo das revistas brasileiras, é reimaginar o mercado e se reaproximar dos fãs, que são acima de tudo CONSUMIDORES. Não dá para que os editores ouçam as criticas e ridicularizem quem as fazem chamando de "nerds de fórum que só fazem baixar". Você já perde qualquer referencial de discussão quando generaliza opiniões inteligentes e imbecis em apenas "birras". Muito é decidido sem qualquer explicação plausível e o silêncio acaba culpando mais do que preservando a imagem dessas empresas. Se existem os radicais acefalos no campo de quem consome, tem que olhar os que verdadeiramente querem saber o que acontece, por que não vende, por que não pode, por que é assim e por que não é assim. Acho que se isso fosse mais claro, assim como o número de vendas no país e tudo mais, teríamos menos baderneiros, ou eles ficariam em seu próprio habitat natural bem isolados. 

Sergio: Em primeiro lugar, qualidade e preço. Enquanto a relação custo/benefício continuar ruim como está, a tendência é de diminuição das vendas. É sempre bom lembrar que com a Internet os leitores andam muito bem informados e só compram aquilo que consideram valer a pena.

Depois vem a distribuição. É emputecedor ter séries incompletas e revistas chegando com atraso de até 60 dias (ainda nos dias de hoje!). Mais uma vez a Internet está aí e as bancas virtuais também, se não chega na banca local a gente compra pela Internet – aí quando (e se) chega na banca da cidade pouca gente compra. Outra coisa são os preços praticados pelas banca virtuais e livrarias online – especialmente em promoções. Se apolítica de preços não for repensada, bau bau.

Aí, finalmente, vem o formato. Além do tamanho, qualidade do papel, encadernação e etc, é preciso rever os mixes e transformá-los em algo que realmente valha a pena ser comprado.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.