O intuito desta série de posts é expor nossas opiniões sobre o mercado editorial brasileiro de quadrinhos, como explicado  no primeiro post. Mais do que organizar nossas idéias, pretendemos instigar os leitores a pensar sobre o assunto,  por isso queremos agradecer a todos os que participaram, entraram em contato, e aos que começaram a acompanhar o blog depois do início destas postagens. Vamos a segunda pergunta do debate!

2) Qual seria o formato ideal para esse tipo de publicação? (visando a publicação de títulos DC e Marvel). O formato com arcos completos no estilo das publicações ‘100 balas’ e ‘Y: O último homem’ (Panini) funcionaria?

Sergio: acho que o formato de 100 balas e Y serve bam a história fechadas, com início, meio e fim. Histórias de personagens longevos como Batman e Superman teriam dificuldades com este tipo de formado – apesar de atualmente várias sagas publicadas em mixes estarem sendo republicadas neste formado.

Para o Brasil, minha sugestão seria reinventar o formato mix. Poderiam diminuir a quantidade de histórias diferentes em cada mix para duas ou três, diminuindo o preço também. Outra coisa é a questão da qualidade do material do mix, misturar coisas muito boas com coisa meia-boca ou ruins acaba afastando os leitores. Continuo achando que se o Mix da Vertigo a tão certo, os outros podem (de alguma forma misteriosa) seguir o mesmo exemplo

Edimario: É uma das possibilidades, mas com ressalvas. Ainda acredito em revistas do tamanho das atuais, mas com melhor distribuição dos títulos. Tenho várias criticas a Abril, por exemplo, mas eles conseguiam formular muitas revistas de mix com números especiais para um dos determinados títulos, mudando o foco na edição seguinte. Não era perfeito, mas esse é o caminho. 

Sugestão: se temos hoje 5 títulos mensais com 3 histórias, faríamos 15 títulos trimestrais. Exemplo: Existe hoje o titulo mensal Capitão América e os Vingadores Secretos com 72 páginas e histórias do Capitão, Vingadores e os Guerreiros Secretos (3 ótimos títulos). Se criariam 3 revistas de 72 páginas e com periodicidade trimestral: Capitão América em um mês, com 3 histórias do personagem. No outro mês vingadores secretos com 3 histórias do grupo e no outro mês guerreiros secretos, voltando ao capitão. 

Seria mais uma mudança de comportamento e de costume do que um vazio no mercado. A cronologia continuaria sem alcançar a dos EUA e aposto que esses títulos venderiam bem, por que são bem-vindos pelos fãs da revista atual. Em caso de alguem não comprar as outras revistas, acredito que seria um dano menor do que hoje, onde vários deixam de comprar o título inteiro porque querem apenas uma história.

Guido: O formato Mix é o que mais me agrada para este tipo de publicação. Não acho que o formato com arcos completos para títulos como Batman e Homem-Aranha vingariam, pois a diferença de tempo para as publicações nos EUA acabaria logo, fazendo com que novas publicações chegassem de 6 em 6 meses (para arcos de 5 partes). Acho que menos leitores ainda se manteriam lendo. De qualquer maneira, o formato americano de publicar cada título com 25 páginas por mês também não me agrada, pois acaba saindo caro. Acredito que o Mix Vertigo foi um acerto e uma melhoria em relação as outras publicações, com histórias bem selecionadas, e poderia servir de exemplo.

Por fim, vale lembrar que a própria série `Y: O último homem', apesar de ser uma série de arcos fechados, passou por diversas formas de publicação. Nos EUA, foi publicada mensalmente em revistas de 25 páginas. No Brasil, primeiro foi publicada pela Opera Graphica editora, em encadernados de capa dura, passou pela Pixel Editora, sendo esporadicamente publicado de 25 em 25 páginas dentro do mix Pixel Magazine, e atualmente é publicado pela editora Panini, em encadernados de capa mole. Toda essa experimentação nos propõe outra pergunta: qual era (ou é) seu formato preferido?

Link para a primeira parte da série: http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=14229

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.