capa-love Quem nunca sofreu por amor, nem que seja um tiquinho? É uma dor sofrida, parece que vai nos sucumbir. No final, entretanto, sobrevivemos e fica a cicatriz, aquela fissura que a gente diz ter esquecido, mas é só uma chaga para a entrada de tantas outras sensações. É nessa toada que Murilo Martins ilustra e relata as desventuras amorosas em Love Hurts – premiado por um Angelo Agostini de melhor lançamento independente, em 2012.

No zine, o autor nos joga em uma viagem pelas sinuosidades dos relacionamentos, mais especificamente os vividos com a então musa inspiradora, Alessandra Nahra (editora, que inclusive aparece nas páginas), com suas idas, vindas, materializações, “mimimis” (nome de uma das tiras) e perdas.

 

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Em um dos capítulos, “Discografia”, há uma ode ao R.E.M., banda americana que terminou em 2011 após mais de 30 anos de carreira. Martins nos conta como as músicas foram adentrando as veias de seu cotidiano: “Foram tantos discos que acabei me acostumando com a existência deles, como a gente se acostuma com as estações do ano. Por isso essa notícia doeu tanto…”, ecoa um dos balões do zine.

 

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O amor também vai nos envolvendo e, de repente, eis o cupido fazendo a festa e o “coração-quadrado”, distraído, enamorando-se. E achamos que tudo será eterno, como Johnny e sua Winona, mas o que sobram são as lembranças, os CDs, os ursinhos, as modificadas caligrafias incrustadas na pele, os objetos de estima, as palavras melosas, os olhares…

Aí “tudo” não tem mais sentido, ou até tem, mas de outra maneira.

 

Ler Love Hurts é conferir as interpretações minimalistas, e até divertidas, do amor e deliciar-se com o estado puro das relações que ocorrem por outrem, pelos grupos e estilos musicais que mais admiramos, pelos animais mais fofos que temos, pelas HQs que marcaram as nossas vidas.

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Afinal, o ato de amar é combustível da nossa existência e, sim, parece ridículo, mas não podemos negar. E pegando até o significado da sigla, em inglês, da banda favorita de Martins, é no R.E.M., movimento rápido dos olhos, que encontramos sentimentos e sonhos mais mágicos e intensos.

Amar, amigo leitor, é amadurecer-se no repentino, mesmo que este ‘repentino’ dure séculos e que seja por amores já conhecidos, os perdidos, os reconquistados, os correspondidos (ou não), os abrigados nos nossos coraçõezinhos.

E com ou sem sentido, ainda bem que amor é assim, não é mesmo?

— Jornalista freelancer, moradora de S. Miguel Paulista - SP e também colabora para o portal Jornalirismo (www.jornalirismo.com.br). Nas horas vagas, lê Quadrinhos. Nas outras também. Mais em http://twitter.com/keliv1