► Por Sávio Roz*

Já estava praticamente familiarizado com o terreno, sabendo onde localizar cada stand, loja, espaço. O FIQ deixou de ser um mistério inexplorado  antes mesmo desse dia que resolvi ajudar a turma do meu stand, meu time, a editora Quadro a Quadro, e perambulei pelo lugar convidando e distribuindo panfletos sobre as publicações.  Panfletos são ao mesmo tempo uma chateação invasiva e um mecanismo de fazer amizades, sabendo-se dosar. Mas existia uma maneira simbólica ainda mais eficiente de se fazer pares.

Entre pessoas, seguindo sentidos diversos, acompanhadas ou sozinhas, singulares ou comuns, um grupo se destacou para mim. Para começar, nesse dia eu usei a camisa de Lanterna Verde que pintei, com o símbolo bem encaixado no tórax, e não no alto abdômen, como eu detesto e estamparias tendem a cometer. Verde. Como uma esmeralda. Facilmente destacável diante de miríades de cores e vestimentas, como se numa feira alienígena eu pudesse ser destacado pelo meu manto: Sou um Lanterna Verde. E o símbolo em verde e branco me apropriava dessa alegoria sem oposição.

Obvio que estamos falando de um evento que reúne facilmente símbolos e brasões de diversos super-heróis, emblemas reconhecíveis aos transeuntes presentes. Mesmo aqueles que não acompanham histórias em quadrinhos de super-heróis sabem reconhecer um morcego negro em elipse amarela ou um “s” encaixado numa armação diamantada. Versões diversas farão raios amarelos se destacarem em flâmulas vermelhas, e silhuetas de animais arrancarão os nomes heroicos que os vestem. Mas de todos os que se encaram, esbarrando acidentalmente em marés de pessoas, os Lanternas Verdes parecem patrulhar de forma plural e singular, pois cada Lanterna Verde é único, como os indivíduos que somos, e é parte de um todo: nossa tropa.

Enquanto entregava panfletos, puxava conversas, encontrava amigos, uma cena que se repetiu neste dia e que martelou minha cabeça foi a de encontrar pessoas com a camisa esmeralda e poder acenar como um colega de equipe. Com os primeiros membros da tropa eu apenas acenei e segui minha jornada, mas isso começou a se tornar demasiadamente comum. Então, como um sagaz Hal Jordan, pensei: Ué? Vou juntar a tropa!!! Comentei com amigos que acharam a ideia pitoresca, mas certamente complicada de fazer. Imagina sair buscando cada Lanterna Verde num evento de fanboys para, quiçá, tirar uma foto? Bem, isso foi feito.

Primeiro foi feito pelo elemento chave para um Lanterna Verde. Não, não estou falando de “cara de pau”, estou falando de outra coisa: Força de Vontade. Sem o medo que atingiu Abin Sur, busquei a organização do FIQ para efetivar meu plano. Encontrei o Lucas (uma espécie de Salaak) que rapidamente entrou em contato com seus superiores e ativou a autorização da convocação. A Voz do FIQ foi de importante valia: Através de seu chamado, a tropa foi reunida na entrada do evento. E a medida que os integrantes iam se aproximando, eu pude falar com um sorriso na cara: Bem vindo a Tropa dos Lanternas Verdes! E juntamos um belíssimo grupo!

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Um garotinho posou junto de tantos membros mais velhos, e até mesmo uma mãe orgulhosa nos trouxe um especial integrante da Tropa! Ela aproximou-se com um rapaz ao lado e me disse: Trouxe meu filho, ele é autista. E eu perguntei para ela: Mas é um Lanterna Verde, não é verdade? E o próprio rapaz respondeu: Sim, sou um Lanterna Verde! E ficamos alguns minutos mágicos reunidos como amigos de longas datas, mesmo sendo todos desconhecidos com um emblema em comum. Emblema esse que nos trouxe um membro que não estava com uma camisa de Lanterna Verde, mas eternizou numa tatuagem o juramento dos Lanternas Verdes e veio nos mostrar: No dia mais claro, na noite mais densa…

Porém o grupo não reuniu todos os presentes no evento que estavam com a camisa do Lanterna Verde. Algumas pessoas ficaram envergonhadas, receosas, aproximaram do salão, mas não se juntaram ao grupo. Duas garotas eram empurradas por amigos, mas preferiram ficar de fora. Alguns, acredito não ouviram as duas chamadas feitas ao microfone. Uma pena. Essa turma “amarelou”, coisa que não deve acontecer nunca com um Lanterna Verde (talvez eles tenham mais sorte com a tropa de Sinestro)!

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*O conteúdo deste post expressa a opinião do autor, que é plenamente responsável pelo mesmo.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.