Como Batman e A Sombra do Batman eram os únicos títulos de supers da DC que eu acompanhava mensalmente, fiquei responsável por falar sobre a fase Novos 52 de ambos. Em primeiro lugar, é importante salientar a coragem editorial da Panini em publicar no Brasil todos os 52 títulos publicados pela DC lá fora – mesmo sabendo que a péssima distribuição vai fazer com que poucos leitores fora do eixo sudeste-sul tenha acesso a todos.
Como os demais quadrados, aguardei o lançamento das revistas aqui no Brasil – apenas acompanhei pela Internet alguns textos sobre o que era o reboot e como isso afetaria os títulos mensais da DC. Também não li Ponto de Ignição, a saga que reinicializou o universo DC. Assim, vou comentar apenas minhas impressões a respeito dos primeiros números das revistas do Morcego.
Batman nº 1
Batman #1 – Scott Snyder | Greg Capullo | Jonathan Glapion | Fico Plascencia
Abre com uma página dupla exibindo vilões tradicionais em mais uma rebelião no Arkhan, com uma participação especial do Coringa (Coringa?). Na sequência vemos o núcleo da Batfamília: Bruce, Dick, Tim e Damian em uma festa e em seguida aparece um crime cujo suspeito é alguém acima de qualquer suspeita.
A história tem cara de apresentação e pode até ser o início de um bom arco, só quero ver como vai ficar o Batman com três Robins. A arte não decepciona (mas também não surpreende), mas eu fiquei com uma impressão estranha no que diz respeito ao uniforme do Batman – especialmente as luvas.
Detective Comics #1 – Tony Salvador Daniel | Ryann Winn | Tomeu Morey
Abre com (mais) uma página dupla, desta vez com o Batman em movimento. O coringa escapa do Batman mais uma vez e o Homem-Morcego precisa ter uma conversa (tensa) com Gordon. No final, o Coringa é capturado e a história termina com uma sequência pra lá de bizarra.
Nesta história o relacionamento entre Batman e Gordon parece tenso e fiquei com a impressão de que a idéia é explorar um caminho diferente pro Coringa, além de apresentar um novo e misterioso vilão. Apesar de alguns exageros, a arte dá conta do
recado.
Batman: The Dark Knight #1 – David Finch | Richard Friend | Alex Sinclair
Abre com uma página dupla (de novo…) exibindo o Batman saltando de um veículo aéreo para que Bruce Wayne chegue a tempo em uma apresentação públicam, ao mesmo tempo que explode (literalmente) mais uma rebelião no Arkhan. Batman aparece para conter a rebelião e vê uma mulher vestida de coelhinha, para em seguida encontrar um Duas-Caras fisicamente alterado e completamente fora de si.
Fica claro que está é mais uma história de apresentação e/ou de abertura de um arco, onde nada surpreende. Não gostei do visual do Duas-Caras bombado e não boto muita fé no caminho que isso pode seguir.
Saldo final e resumido (de 1 a 5): Batman #1 (3), Detective Comics #1 (2) e Batman: The Dark Knight #1 (2). Mix (2).
Batman & Robin #1 – Peter J. Tomasi | Patrick Gleason | Mick Gary | John Kerlisz
Inicia com um novo vilão, Ninguém, matando o Batman russo (da Corporação Batman) e segue com Batman (Bruce Wayne) levando Robin (Damian Wayne) para mudar uma antiga tradição do Homem-Morcego (mudança que eu particularmente não gostei). Na sequência a dupla dinâmica detém um crime e uma misteriosa figura aparece bem sutilmente em um dos quadros da história.
O roteiro é bem simples e a arte passável, apesar de alguns enquadramentos deixarem os personagens meio estranhos. Em minha opinião, o melhor foi a manutenção da Corporação Batman no universo do Morcegão. Já a dinâmica entre Bruce e Damian não me convenceu muito.
Batwing #1 – Judd Winick | Ben Oliver | Brian Reber
Mais uma história com um membro da Corporação Batman. Nela vemos as dificuldades que o Batwing enfrenta em sua identidade civil e sua luta contra um oponente com capacidade para dar fim a sua carreira como Batman.
Gostei bastante do roteiro e da arte. Pra mim esse pode ser o azarão que vai ganhar a corrida – se é que teremos um fim nessa corrida.
Batgirl #1 – Gail Simone | Ardian Syaf | Vicente Cifuentes | Ulisses Arreola
Bárbara Gordon voltou a ser Batgirl três anos depois de ter ficado paraplégica com um tiro do Coringa (conforme contado em A Piada Mortal, de Alan Moore) e precisa lidar com esse trauma enquanto combate o crime. Arte passável, mas achei que alguma coisa na cor ficou deslocada.
História fraca, que não empolga nem deixa com vontade de saber o que vai acontecer no próximo número. Não boto fé que vá deslanchar.
Catwoman #1 – Judd Winick | Guillem March | Tomeu Morey
Abre com a Mulher-Gato fugindo de bandidos que descobriram onde ela mora e encerra com a polêmica comunhão carnal entre ela e o Morcegão. Não gostei muito da arte e a cor me confundiu (no começo da história achei que tratava-se da Hera Venenosa).
Curti a premissa de colocar a Mulher-Gato em situações mais cotidianas, típicas de uma ladra, mas faltou alguma coisa no roteiro que despertasse minha curiosidade. De qualquer forma, é a primeira história da Mulher-Gato em um novo universo, vamos ver onde isso vai dar.
Red Hood & The outlaws #1 – Judd Winick | Guillem March | Tomeu Morey
O mesmo Capuz-Vermelho que encerrou a antiga fase de Batman como bandido procurado, aqui surge como (anti) herói rebelde em operação de resgate a outro herói rebelde: Roy Harper (a.k.a Arsenal). Ele recebe a ajuda de Koriander (Estelar), a alienígena gostosa e sexualmente desinibida. Gostei da arte, ficou parecendo com uma história dos Novos Titãs.
A coisa toda tá com jeitão de um novo Outlaws, ou melhor, Renegados – um grupo de heróis problemáticos fundado pelo Batman a muito tempo. Apesar do pessoal da Panini ter traduzido Red Hood & The Outlaws como Capuz Vermelho e os Foragidos, quem lia Renegados vai perceber a mesma pegada (com algumas referências a Novos Titãs).
Nightwing #1 – Kyle Higgins | Eddy Barrows | JP Mayer | Rod Reis
Aqui Dick Grayson atua como Asa Noturna em Gotham (em mais uma página de abertura dupla…). O circo onde ele passou a infância como trapezista (até a morte dos pais) está na cidade e ele aparece para uma visita, mas um perigoso mercenário está tentando matar Dick Grayson e o Asa Noturna precisa agir. A arte de Eddy Barrows está muito boa (como sempre).
Eu fiquei curioso pra saber que motivo alguém teria para matar Dick Grayson, sem contar que acho que sua visita ao circo pode rendar algumas coisas interessantes. Vamos ver.
Batwoman #0 – J. H. Williams III | W. Haden
Blackman | Amy Reeder | Richard Friend
Batman está estudando a Batwoman para avaliar suas habilidades e tentar descobrir sua identidade secreta, enquanto a heroína tenta evitar que a Religião do Crime recupere um antigo artefato. O trabalho (roteiro e arte) de J. H. Williams III está bom como sempre e esta foi a história do mix todo que mais valeu a pena.
Saldo final e resumido (de 1 a 5): Batman & Robin #1 (2), Batwing #1 (4), Batgirl #1 (2), Catwoman #1 (3), Red Hood & The outlaws #1 (3), Nightwing #1 (3), Batwoman #0 (4). Mix (3).
IMPRESSÃO GERAL
Na maioria das histórias de ambos os títulos me senti de volta aos anos 90, onde desenho era tudo e roteiro apenas um mero detalhe – e, acredite, não foi uma sensação boa. Mas é sempre bom ter em mente que todas são histórias de apresentação dos personagens, por isso vou continuar acompanhando pelo menos até o final dos primeiros arcos do reboot para um julgamento mais embasado.
Apesar de reconhecer que as histórias do Batman e dos demais personagens de seu universo não estarem rendendo muito antes do reboot, olhando o que foi feito ficou parecendo mais uma rebobinada na fita pra ajustar alguns detalhes e seguir em frente. Algumas coisas foram mantidas, como a Corporação Batman e o trio Dick/Tim/Damian, e outras alteradas sem necessidade, como Bárbara Gordon voltar a atuar como Batgirl – eu achava que ela estava indo bem como Oráculo e que sua sucessora como Batgirl dava conta do recado com uma boa dose de humor.
Entendo a estratégia da DC de colocar 52 títulos mensalmente nas bancas como bem sucedida para o mercado estadunidense, onde cada personagem tem seu título próprio (o Batman tem 4) e os leitores podem escolher livremente o que querem comprar. Reiniciar as revistas a partir do número 1 também funciona para atrair novos leitores, mas no caso do Batman a editora assumiu que todo mundo conhece a origem do personagem (deve ser verdade). Ao que parece a DC vai publicar um número 0 de cada título mostrando a origem dos personagens "rebootados" – mais uma boa estratégia para vender revistas.
O problema para os possíveis novos leitores aqui no Brasil é que as revistas não são publicadas individualmente, mas em volumes contendo vários títulos (mix). Se no mix A Sombra do Batman a leitura flui, é por que em apenas uma das histórias o Batman (Bruce Wayne) é o personagem principal – e qualquer novo leitor lida facilmente com isso.
Já no mix Batman temos o mesmo personagem em três histórias diferentes, com contextos diferentes e personagens coadjuvantes distintos. Como novos leitores vão lidar com isso? Eu, que sou leitor antigo, sempre achei isso esquisito (com o reboot ficou mais esquisito ainda). E se além de não atrair novos leitores, o reboot ainda afastar os antigos?
Acho que só teremos estas respostas com o tempo. Mas se tudo der errado sempre será possível criar uma nova crise, ou reboot, pra voltar à antiga cronologia e dizer que todas as revistas que compramos se passam em uma das 51 Terras alternativas do Universo DC...











8 Comentários
André disse:
ago 14, 2012
Porque não consigo encontrar a sombra do batmam ( novos 52 ) em lugar algum??
Sergio Barretto disse:
ago 14, 2012
André;
Em Salvador o número 1 da Sombra já foi recolhido e o número 2 já está nas bancas, mas dependendo da cidade você pode ter dificuldades em encontrar – ou simplesmente não encontrar. Recomendo um papo com o jornaleiro e, se for o caso, adquirir pela Internet.
Ryukendo disse:
ago 11, 2012
Haja dinheiro,hein!!
Só comprei até agora os titulos normais do batman e ainda não comprei a sombra do batman e pelo jeito vou comprar que são as mais interessantes dos novos 52.
edimario disse:
ago 5, 2012
Capuz Vermelho e os Foragidos. Porra Panini, aí você enfraquece a amizade
Guido Moraes disse:
ago 5, 2012
POis é, não sei se perdi algo, mas como a Baarbara voltou a andar? Quem levou a Stephanie? Como Dick grayson resolveu voltar a ser o Asa noturna?
edimario disse:
ago 5, 2012
Rpz, essa história que conservaram o status quo do personagem é balela. Eles na verdade fizeram reboots mais lights com essa franquia e a do Lanterna. No decorrer do tempo, vamos começar a ver as diferenças.
Guy disse:
ago 4, 2012
Acho que as coisas ruins no reboot da família Batman eram Tony S. Daniel ( que deu uma melhoradinha ) e o David Finch, que são dois ilustradores que estão começando carreira como roteiristas e, claro ainda derrrapam em algumas coisas…Felizmente os dois não esquentaram banco nos títulos, a tendência é de melhora.
Zoom disse:
ago 4, 2012
Eu também sou da opinião que o Batman tem títulos demais, mas acho que isso se deve muito mais pela demanda dos leitores do que necessariamente da editora, que acaba respondendo de acordo a essa necessidade. É só ver quantos títulos derivados dos Vingadores o dos X-Men surgiram e estão sendo comercializados atualmente, por que se fortaleceram como franquia. Eu também acho que seria interessante desmembrar esse formato mix em edições avulsas, mas quando penso nos grandes e terríveis problemas de distribuição que temos no país a décadas, acho melhor deixar como está rsrsr. Sobre o reboot do Batman, agora vendo a revolução que Scott Snyder vem fazendo – uma delas, a volta do Coringa, que ao contrrio do que a gente pensa AINDA não deu as caras no relaunch – acho que vale à pena ficar e acompanhar o Bat-Verso.