Não, eu não comprei as edições digitais, não baixei os scans e muito menos importei as edições impressas. O que estou lendo do reboot da DC é pelas publicações da Panini. E apesar de que não devo ler nem um terço dos 52 novos títulos, não quis deixar passar batido a Liga da Justiça de Geof Johns e Jim Lee, que no Brasil veio acompanhada do Capitão Átomo por JT Krul, Freddie Williams II com cores de José Villarrubia e Liga da Justiça Internacional, por Dan Jurgens e Aaron Lopresti.
Primeiro quero das minhas impressões sobre a Liga da Justiça, que foi a HQ que me fez comprar a revista. Uma história tragável, com um roteiro raso e o que se espera da arte de Jim Lee, quem gosta ou não gosta já sabe o porquê.
O que me deixou incomodado foi o fato de não conseguir deixar de pensar na outra reformulação pela qual o universo DC passou após a Crise nas Infinitas Terras. Foi na fase pós-crise que surgiram verdadeiros clássicos dos quadrinhos como Batman – Ano Um por Frank Miller e David Mazuchelli; Superman por John Byrne, Mulher-Maravilha por George Perez; Homem-Animal por Grant Morisson, Rapina & Columba por… bom, esse não conta… e isto sem falar em Sandman (Neil Gaiman, Sam Kieth e vários outros) e Watchmen (Alan Moore e Dave Gibbons), que também surgiram no contexto pós-Crise. Todos esses trabalhos tiveram uma caractística bem definida: são obras complexas, inteligentes, que fizeram com que os quadrinhos de super-heróis fossem elevados a um patamar acima do que se via até então.
E o que se tem com a reformulação dos Novos 52? Tirando por base a Liga da Justiça, que estou considerando como a amostra principal, justamente por ser anunciada como o carro-chefe da nova fase da editora, parece que o caminho seguido foi o inverso: reformular para se chegar a um nível raso. Seriam quadrinhos para iniciantes ou quadrinhos para idiotas? Será que os executivos da DC consideraram que fazer quadrinhos para uma nova geração de leitores significa simplicar o discurso? Será que consideram que a nova geração é uma geração de idiotas?
Se essa Liga da Justiça é o principal título da nova DC, então não se pode esperar a repetição de novas fases clássicas dos personagens DC e talvez nem a assimilação de novos leitores aos títulos, pois para histórias descartáveis não se pode esperar muitos leitores fiéis.
Quanto aos da Liga em si, analisados isoladamente, não dá sequer para falar muito mais: um roteiro simples, com o primeiro encontro de alguns dos heróis que formarão o grupo. O tradicional quebra-pau antes de unir forças e a arte já manjada do Jim Lee.
Em relação às outras HQ´s do mix, eu não posso falar muito do Capitão Átomo, por que não consegui passar da décima página. Não é uma HQ chata, é uma HQ absolutamente insuportável e frustrante. Frustrante por queo Capitão Átomo que teve histórias no mínimo sólidas na reformulação pós-Crise, além de ter sido o personagem que inspirou o Dr. Manhattan de Watchmen. Eu esperava que o roteirista poderia minimamente se inspirar na abordagem de Moore, mas ao invés disso partiu para a ação descelebrada.
A HQ é tão ruim que a sensação que eu tive enquanto lia aquelas páginas era de que eu estava gastando muito mal o meu tempo. Comecei a pensar em que eu poderia estar fazendo para aproveitar melhor minha vida. Cheguei à conclusão de que qualquer coisa seria melhor, até mesmo fumar um maço de cigarros. E olha que eu não fumo e ainda sou alérgico a cigarros.
Para não dizer que nada se salva na HQ, as cores são do José Villarrubia, em mais um trabalho bem competente.
O mix finaliza com a vergonhosa Liga da Justiça Internacional. Uma HQ enfadonha que tenta resgatar o clima da Liga Internacional de Giffen, DeMatteis e Maguire. Daí a total sensação de vergonha alheia, por que não chega nem perto. A impressão é que a equipe criativa (criativa?) está ali para ganhar o pão de cada dia, tão inspirados quanto um funcionário público.
Essa revista inteira serve como um ótimo exemplo do que acontece quando o aspecto comercial se sobrepõe à inspiração necessária para se fazer arte: os resultados são desastrosos. Não é à toa que dos três títulos desse mix, dois foram cancelados nos EUA: Capitão Átomo e Liga Internacional.
Seguindo o modelo do Guido, saldo final e resumido (de 1 a 5): Liga da Justiça (2), Capitão Átomo (1), Liga da Justiça Internacional (1). Mix (1,3).












11 Comentários
edimario disse:
jul 6, 2012
Já tinha falado dessa Liga da Justiça do Johns. É uma revista que lembra os tempos mais sombrios de Herois Renascem, com o agravante de ter as velhas manias do Johns: Enfatiza os heróis "dele" (Lanterna, Flash, Aquaman e Cyborgue), não consegue dar veracidade ao Superman e a Mulher Maravilha e ainda carrega em seus dialogos as frases mais forçadas da história dos quadrinhos norte-americanos. Jim Lee tá no automático e nem é preciso falar nada. Só discordo de Marcello que Capitão Atomo seja pior que ela, você tá muito amargo hahahahahahahahahahhaah
Wendell Cavalcanti disse:
jul 6, 2012
Eu li Superman que um amigo me emprestou. Nenhuma das histórias despertou meu interesse. Na verdade parei na segunda história, achando chata demais e tive a mesma impressão do Marcello: estava gastando mal o meu tempo.
Comprei Batman nº 1 (há anos não comprava um revista seriada nas bancas). E Não reconheci o Cavaleiro das Trevas. Quer dizer, lá estava o Morcegão, com cara sisuda, capa esvoaçante, pulando de prédio em prédio… mas não era ele. Não tive o baque, o soco que eu esperava. O mesmo soco que levei quando li Batman Ano Um (ainda no famigerado formatinho). Não senti o gosto de quero mais, o interesse pra saber o que vem em seguida. De novo achei as histórias chatas.
Nós costumamos dizer: Não é preciso reboot! Basta escrever boas histórias!
Quem garante que mesmo sem reboot as histórias melhorariam? Muito provavelmente as equipes "criativas" seriam essas mesmas e as histórias seriam chatas e sem novidades até aparecer um autor (um único) com uma ideia original e empolgante e que logo depois seria substituída por outra leva de histórias mornas e sem sal.
Nah! Estou resmungando. Fiquei velho e preso ao passado…
aloisio costa de jesus disse:
jul 5, 2012
rapaz vou te dizer uma coisa ,a dc ta matando seu catalogo de super heroi ,li algumas revista desta nova fase e a impressão que ficou é que esta administração editorial da dc não conhece seu publico ,roteiros vergonhosos ,artes esquematicas feita em escala robótica ,nota-se uma mão executiva muito pesada ditando regras na parte editorial ,outra coisa complicada na dc é seu casting de escritores ,nesta balaio da para separar scot snyder,jeff lemire ,brian azzarello e grant morrison e mais alguns gatos pingados ,o resto vai de regular a muito ruim e o que é piór é que estes escritores estão distribuidos em titulos importantes manipulados por executivos que fazem o que é mandado ,não ajuda editores do porte de dan didio e bob harras ,dito isto fica a certeza que aquela editora de super heroi progressista que sem sombra de duvida injetou no passado grandes revoluções neste nicho de quadrinhos não existe mais , que temos hoje é uma editora avida em agradar um publico que desconhece ,tropeçando em obras idiotas e conceitos ultrapassados .
Lucas disse:
jul 6, 2012
Marcello já tinha dito tudo que eu senti com essa reformulação, e o Sr, fechou com chave de ouro Aloisio.
A DC já não é mais a mesma há anos…
Só espero finalmente chegar as comics-shops os Grandes Astros do Faroeste, pelo menos Jonah Hex continua me agradando.
Abraços,
Eclipso disse:
jul 5, 2012
Vou pedir licença pra discordar um pouco. Pelo que tenho acompnahdo do reboot desde o ano passado, acho que a maior parte do reboot teve mais acertos do que erros, o mercado norte-americano se reaqueceu, a velha editora do Superman precisava mesmo desse "respiro", se tornou mais competitiva e mesmo vendendo ligeiramente menos que sua concorrente, ainda domina a maior parte do mercado, um ano depois. O superman de Grant Morrison é aclamado pela crítica e pela primeira vez em anos o personagem figura entre o dez mais vendidos do mercado nos EUA. É claro que coisas ruins como as citadas nessa análise entram no balaio, concordo plenamente, mas não podemos deixar de apontar a iniciativa ousada da Panini de colocar todos os títulos da DC no mercado Brasileiro. Mesmoo que uma parte desse material tenha distribuição diferenciada e não esteja todo em bancas, é a primeira vez que isso acontece em 50 anos! Pode ser que ônus dessa iniciativa tenha que ser "descer goela abaixo" coisas não tão legais como o Cap. Atomo ou LJI, mas o fato da alegria desse velho Fanboy de ver todo esse material sem restrições nas nossas mãos, sendo publicado com tamanha qualidade, já compensa em muito. Afinal, as séries ruins serão substituídas logo, muita coisa que vale à pena está vindo por aí.
Marcello disse:
jul 5, 2012
Eclipso, apesar de discordar em relação a várias coisas que a Panini faz, ainda acho que ela é a melhor editora de super-heróis que já atuou no Brasil e as críticas dessa resenha são em relação ao material original, não à edição brasileira. Vamos ver no futuro o que vai ter virado esse reboot.
edimario disse:
jul 6, 2012
Também acho que o reboot teve mais acertos que erros… do que vinha sendo produzido. Mas não quer dizer que essa linha editorial nova da DC (nova?) seja algo realmente de destaque.
Marcelo Fernandes disse:
jul 4, 2012
Olá Marcelo…
Puxa… Achei que tinha sido só eu que havia achado a revista uma droga! Disse a mim mesmo que não iria ceder a essa jogada comercial da DC, porém disse a mim mesmo logo em seguida: "Marcelo… Não seja tão intransigente. Leia pelo menos para conhecer". E daí acabei comprando e começando pela Liga da Justiça. Que decepção!
Não sei se vc concorda, mas achei que a do Super-Homem vai por essa mesma linha.
Estou lendo agora a do Desafiador. A primeira que me chamou alguma atenção.
É isso aí.
Ass. Marcelo.
Marcello disse:
jul 4, 2012
Oi Xará. Ainda não li o Superman e na verdade não sei se vou ler, ainda mais se for nessa mesma linha.
Abraços,
edimario disse:
jul 6, 2012
Por esse velho formato de mix, não vou comprar meeeesmo. Esperei fechar os arcos e li online. Superman do Perez é interessante, só isso. Dá uma atualizada no personagem aos novos tempos e traz muito mais consistência do que o Morrison e o Johns vem fazendo.
Guido Moraes disse:
jul 4, 2012
Mandou bem Marcelão, tinha notado que todos os roteiros tinham sido rasos, mas não tinha pensado por esse lado. Escrever coisas simples não atrai novos leitores! Talvez por algumas poucas edições, mas só histórias boas os mantém. Tomara que a coisa melhore…