Dia 30 de janeiro é comemorado o dia do quadrinho nacional e entre várias comemorações no país, uma delas foi a celebração do 32º prêmio Angelo Agostini que tive a oportunidade de conferir pela primeira vez.

Fui com o pessoal da Gibiteca de Santos que ganhou o prêmio Jayme Cortez de incentivo ao Quadrinho Nacional e antes de falar um pouquinho sobre a importância desse prêmio, vou comentar sobre alguns pontos do evento.

Bom, a primeira coisa que notei foi o clima de amizade entre os participantes do evento. Não sei como é nos outros, mas pelo menos no universo dos quadrinhos, cada encontro é uma festa. Nunca presenciei clima de rivalidade e no Angelo Agostini não foi diferente.  Vários participantes já estão no meio há muito tempo, então é realmente incrível ter a oportunidade de conversar com nomes como Marcatti, Laudo Ferreira, Will, Eduardo Vetillo e Carlos Patati. Vetillo foi inclusive homenageado pela equipe da Santos Comic Expo por sua contribuição aos quadrinhos nacionais.

Apesar de toda polêmica do último prêmio Angouleme sobre a ausência de mulheres nas premiações, o Angelo Agostini não foi diferente: Nenhuma mulher entre os premiados e pouquíssimas presentes. Porém, ao contrário dos demais prêmios, a ACQ, órgão que promove o Angelo Agostini, não usa dos mesmos critérios subjetivos normalmente usados, onde um grupo de pessoas, escolhem os indicados. A votação ficou aberta ao público em geral nos meses de dezembro e janeiro , sem sugestões ou indicações. O público tinha total autonomia para escolher quem quisesse.

 Se por um lado a votação aberta promoveu uma boa diversidade de regiões, pois os premiados vieram de várias partes do país, por outro pode dizer muito sobre as publicações femininas. Vale ressaltar que no penúltimo HQMIX, por exemplo, só a Lu Cafaggi levou metade dos seis prêmios dedicados às mulheres, de acordo com um dos jurados de indicações, Heitor Pitombo. Ou seja, mulheres com trabalhos significativos existem.

No bate-papo sobre quadrinhos históricos (Brasil e Paraguai unidos pelo traço), mediado pelo prof. Dr. Nobu Chinen, os integrantes da mesa explicaram sobre a importância de se atentar aos fatos históricos na hora de confeccionar uma HQ cujo foco seja narrar 12642588_10208504232186006_8719101589994780183_nacontecimentos como a guerra do Paraguai. André Toral, autor do romance em quadrinhos sobre a guerra do Paraguai Adeus, Chamigo Brasileiro, mencionou que, embora o revisionismo histórico seja uma prática comum, os fatos em si não mudam e buscar ser fiel a eles é o que confere aos quadrinhos históricos um status mais pedagógico/educativo em relação aos demais quadrinhos.

O Angelo Agostini é um dos poucos eventos que premia gibitecas, assim como o HQMIX, o que é uma pena, pois sabemos que muitas pessoas só têm acesso aos quadrinhos através de gibitecas.  Esses espaços, além de muitas vezes serem a porta de entrada para um futuro leitor de quadrinhos, também funcionam como arquivos de edições históricas e no caso da Gibiteca de Santos, seu alcance é ainda maior. Só em 2015 foram 188 atividades realizadas, entre oficinas e bate-papos com quadrinistas brasileiros, o que não só propicia a divulgação desses artistas, mas como o contato do público com obras que não teriam acesso de outra forma, além de promover também o desenvolvimento das habilidades artísticas de seus visitantes.

Fábio Tatsubô, coordenador da Gibiteca diz o seguinte sobre a importância desse prêmio:
“A premiação do Angelo Agostini é um reconhecimento da importância das gibitecas. Hoje, as gibitecas não podem mais ser somente uma caixinha de gibis, elas precisam ser tornarem polos irradiadores para a formação de público leitor, iniciação e formação artística, 12592745_10208504262746770_8789268339580736695_nvalorização dos cartunistas locais e integração com os artistas de reconhecimento nacional. É criar ambientes propícios para o desenvolvimento do segmento na cidade. E o Angelo Agostini nos dá a oportunidade de debater sobre isso, da estrutura aos investimentos no equipamento e principalmente, que no ano que vem, outras gibitecas do país possam estar concorrendo ao Troféu.”

Portanto, fica o apelo para que os outros prêmios atentem para a importância das gibitecas e para as publicações femininas, que são ainda excluídas na maioria dos eventos de HQs.

Estes foram os premiados e mais fotos podem ser conferidas no álbum que fiz do evento.

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— Dani Marino é formada em Letras e ainda não decidiu se prefere viver no Sonhar, em Nárnia ou em Hogwarts.