Os quadrinhos têm tido ultimamente no Brasil uma intensa aproximação com as áreas pedagógicas, seja como pesquisa, como atividade complementar ou no processo didático do professor.

Uma prova disso é a notícia que divulgamos ontem no QaQ, sobre a 26ª edição do Simpósio de História que terá o minicurso História em Quadrinho: Ensino e pesquisa. O mesmo evento também irá realizar um Simpósio temático sobre História e Quadrinhos: Pesquisa e ensino em História e as interações com a nona arte.

A coordenadora será  GÊISA FERNANDES D´OLIVEIRA (Doutora) – Observatório de Histórias em Quadrinhos/USP.

Proposta:

"Resumo: Discutir as relações entre História e a linguagem das Histórias em Quadrinhos, enfocando aspectos como: ensino, fidelidade histórica, tensão entre ficção e realidade, registro histórico e registro ficcional. Esta proposta será dividida nos seguintes subtemas: 

 

• Tudo é História (em quadrinhos)? – Registro histórico e ficção
• Quadrinho é documento? – Histórias em quadrinhos como fonte de pesquisa em História.
• Fidelidade histórica e quadrinhos 
• História, HQs e Estudos Culturais
• A nova História (em quadrinhos) – HQs e práticas sociais
• HQs e o ensino de História: propostas, usos, experiências
• Os donos da história: como as HQs foram usadas em diferentes conflitos históricos
• História das histórias em quadrinhos: novas abordagens
• Quem conta um quadro…: HQs e os novos recursos didáticos para o ensino de História

 

Justificativa: As histórias em quadrinhos são um bom exemplo da influência das linguagens na formação de saberes históricos. Estes, por sua vez se dispersam em programas de cultura (SCHMIDT, 2000) diversos, os quais completarão a tarefa de fixá-los em saberes dominantes, em detrimento de outros: os saberes periféricos, discursos desqualificados. 
Os saberes dominados (FOUCAULT, 2004) podem ser definidos como: 1) conteúdos históricos que passam despercebidos em coerências funcionais ou em sistematizações formais e 2) série de saberes, previamente “desqualificados como não competentes ou insuficientemente elaborados: saberes ingênuos, hierarquicamente inferiores, saberes abaixo do nível requerido de conhecimento ou de cientificidade.” (FOUCAULT, 2004, p.170)
A expansão e diferenciação dos suportes trazem, por sua vez, novos problemas ao ensino e à pesquisa em História. O uso de histórias em quadrinhos em livros didáticos, ou como fonte primária em dissertações ou teses são exemplos das mudanças ocorridas no discurso científico. 
Os objetos de análise histórica mudaram, bem como a relação que se pode estabelecer com eles, a ponto de podermos encará-los, se assim o desejarmos, ora com o distanciamento indispensável à crítica, ora com a aproximação necessária para a fruição. 
Considerar as histórias em quadrinhos como documentação válida para melhor se entender questões pertinentes à pesquisa e ao ensino de História renova o diálogo linguagens e disciplinas acadêmicas, entre a representação e seus críticos, para o proveito de ambas."

As inscrições para o Simpósio Temático ainda não começaram.

Fiquem de olho!

Fonte: http://www.snh2011.anpuh.org/simposio/view?ID_SIMPOSIO=507

— Lucas Pimenta queria ser Martin Mystère. Não queria uma pistola de raios e sim a capacidade de enrolar uma noiva da mesma maneira...