Dissertação apresentada por Ana Carolina Cunha ao Programa de Pós-graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Psicologia.

RESUMO

As histórias em quadrinhos são produções culturais amplamente difundidas em todo o mundo e lidas por pessoas de todas as idades e diferentes nacionalidades. O objetivo desta pesquisa é apreender os aspectos referentes às mudanças de elaboração da justiça no decorrer do século XX contidas nas histórias em quadrinhos do Batman. Tomamos as produções culturais como material de estudo da Psicologia Social, não apenas porque são ricas de elaborações, mas também porque a Psicologia pode contribuir de forma significativa para a compreensão da cultura. O nosso enfoque está na produção de sentidos presentes naquela manifestação cultural enquanto elaboração da vivência de justiça. Batman, além de ser um personagem emblemático desse meio de comunicação, não possui superpoderes, mas decidiu tornar-se herói, propiciando uma vinculação específica com o homem comum. Analisamos as histórias em quadrinhos do Batman como uma expressão do vivido, conforme é entendida à luz da fenomenologia. A seleção do material analisado foi feita após a leitura de pesquisas de especialistas do gênero. Foram analisadas 8 histórias e de épocas distintas, indicadas pelos especialistas como marcantes na trajetória do herói. Buscou-se explicitar a estrutura do objeto de pesquisa, examinando a interação entre imagem e texto nas histórias para apreender o sentido comunicado por elas. Nas análises observou-se que, embora o fator que levou à transformação do Batman em super-herói tenha sido a morte dos pais do personagem quando criança, não é essa motivação que o leva à busca pela justiça. Sua motivação é a proteção dos inocentes que habitam a cidade do personagem. A justiça é entendida em toda a trajetória do herói como direito de todos. A justiça demandaria um ganho social, não um ganho pessoal. A justiça também é compreendida como um combate à criminalidade. Nas primeiras histórias, dos anos 30 e 40, o destino dos criminosos era usualmente cadeia ou morte. Eram compreendidos como seres à margem da sociedade e incapazes de serem reintegrados a ela. Posteriormente, os criminosos são divididos em normais, destinados à cadeia, e loucos psiquiátricos, e algumas vezes com possibilidade de recuperação. A relação do Batman com as autoridades também muda com o tempo: no princípio, ele combate o crime sem se envolver com a polícia, era até perseguido por ela; aos poucos, passa a ajudar diretamente as autoridades.

Palavras-chave: Psicologia da Cultura, Fenomenologia Social, História em Quadrinhos, Justiça.

 

A LUTA PELA JUSTIÇA: uma análise fenomenológica das histórias em quadrinhos do Batman

 

*O conteúdo desta monografia expressa a opinião de Ana Carolina Cunha, que é plenamente responsável pelo mesmo e publicado com sua autorização.

 

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.