Estamos na reta final do 1º Nerd Cine Fest que até o momento tem justificado sua realização através do público que tem frequentado os eventos.

Na sexta, o público lotou a sala do cine Roxy Pátio Iporanga para assistir o Batman de Tim Burton. Para quem só conhecia a película pela TV, assisti-la na telona foi uma oportunidade incrível.

No sábado e domingo, além da exposição do ilustrador de animação Daniel Pudles no shoppinga Pátio Iporanga, também rolou muita coisa na Gibiteca: Exibição de Batman – Cavaleiro das Trevas, seguida de um debate sobre animação e a exibição de Akira, seguida de um debate sobre as diferenças do anime para as outras produções.

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Na segunda-feira (08/09) comemoramos os 15 anos de Matrix com exibição de Animatrix e um debate sobre a produção que revolucionou o universo cinematográfico.

Os convidados a participar do debate foram Alexandre Fidélis, do Santos Comic Con,o especialista em cinema Waldemar Lopes, do Cinezen  e eu! Com a mediação de Vinícius Carlos Vieira (CinemAqui), discutimos a razão pela qual Matrix se tornou um clássico e uma referência não só para o cinema, mas para outras mídias, como HQs e Literatura. Além das referências Pop citadas, como Alice no País da Maravilhas, as coreografias de Kung Fu a la Bruce Lee, pose icônica de Superman e Star Wars, também falamos das referências filosóficas que serviram como base para a criação dos diálogos e dos roteiros. Se no primeiro e segundo filmes há uma forte presença da filosofia ocidental que vai de Platão e Baudrillard a Maquiavel e Kant, passando por teorias de psicanálise, o terceiro filme já tem seu foco na filosofia oriental. Conceitos conhecidos por praticantes de Yoga e da filosofia budista podem ser facilmente identificados ao longo da história, porém, é no final do filme que a intenção dos diretores fica mais clara: de acordo com um dos participantes presentes, a música tema de Neo no final da trilogia é inspirada na obra de Wagner, Crepúsculo dos Deuses. A versão cantada feita para o filme contém versos de filosofia Védica (Hare Krishna) e que falam sobre iluminação e busca do conhecimento.

A conclusão que chegamos é que dificilmente os irmãos Wachowski conseguirão reproduzir o mesmo sucesso no futuro e que Matrix, tendo se tornado um clássico, pode propiciar sensações e percepções diferentes a cada exibição. Certamente o impacto causado naqueles que assistiram o filme há 15 anos no cinema não é o mesmo percebido por aqueles que o assistem pela primeira vez nos dias de hoje. Há 15 anos a sensação que tive ao sair do cinema é de ter sido atropelada por um caminhão. Devo ter demorado umas duas horas para conseguir assimilar algum sentido e mais algumas várias exibições para compreender a Matrix. Talvez ainda me surpreenda caso resolva assisti-lo novamente, mas o fato é que propor o que os Wachowski traziam em uma época que ainda não tínhamos um computador em cada casa, nem instagram, nem facebook, era no mínimo chocante. O tema, embora recorrente (já vimos as máquinas dominarem o mundo em Blade Runner e o Exterminador do Futuro) é tratado de forma tão inovadora e com tanta profundidade que é bem improvável que algum outro diretor consiga obter o mesmo resultado caso queira se aventurar pelo mesmo universo.

As fotos são da Sabrina Cavicchia e podem ser conferidas nas páginas do evento (não deixem de curtir!!!)

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— Dani Marino é formada em Letras e ainda não decidiu se prefere viver no Sonhar, em Nárnia ou em Hogwarts.